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MPMG instaura inquérito civil para apurar condições de área da “nova rodoviária” de Belo Horizonte

MPMG instaura inquérito civil para apurar condições de área da “nova rodoviária” de Belo Horizonte

Terreno da "nova rodoviária" de BH - Foto: Tulio Santos/EM DA PRESS

Procedimento mira manutenção, segurança e destinação do terreno no bairro São Gabriel; Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), Metrô BH e Governo de Minas Gerais são os representados no inquérito civil.

O que aconteceu?

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 16ª Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo de Belo Horizonte, converteu uma notícia de fato em inquérito civil para investigar a situação do terreno público onde se pretendia construir a nova rodoviária da capital, no bairro São Gabriel.

Segundo o órgão, o projeto foi abandonado e há indícios de desuso, acúmulo de resíduos e falhas de fiscalização e segurança. O caso foi formalizado em 13 de agosto e divulgado no dia 14.

O inquérito tem como representados: o Município de Belo Horizonte (proprietário da área), a concessionária Metrô BH (atual gestora do espaço) e o Estado de Minas Gerais (gestor do contrato de concessão da Linha 1 do metrô).

O MPMG requisitou à sua Central de Apoio Técnico (Ceat) um parecer técnico preliminar sobre a área de aproximadamente 70 mil m², com um roteiro de vistorias que inclui:

O projeto nunca saiu do papel

Anunciada no fim da década de 2000, a transferência da rodoviária para o São Gabriel nunca foi executada. Reportagens lembram que 288 famílias foram removidas e mais de R$ 30 milhões foram gastos em desapropriações. Em nota à imprensa, a Prefeitura de BH atribuiu a decisão de construir e depois desistir da obra a gestões anteriores e informou não ter novos planos para a área.

O que pode acontecer agora?

Com o inquérito civil em curso, três caminhos institucionais são usuais após a análise técnica e as oitivas dos responsáveis:

  1. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) — se houver consenso, PBH/Metrô BH/Estado assumem obrigações (por exemplo, cercamento, limpeza, iluminação, vigilância e plano de uso provisório), com prazos e fiscalização do MPMG;
  2. Ações judiciais coletivas — na ausência de acordo, o MPMG pode propor Ação Civil Pública para impor medidas de manutenção, segurança e destinação adequada do bem público;
  3. Arquivamento motivado — se a perícia e as diligências demonstrarem regularidade ou perda de objeto (hipótese menos provável diante dos indícios levantados).

A definição entre TAC ou ação dependerá do parecer da CEAT e das respostas formais dos representados.

Repercussões e falas oficiais

O MPMG afirmou que o objetivo é apurar a manutenção, fiscalização e destinação do terreno público e que solicitou parecer técnico para indicar alternativas de requalificação do espaço (Nota institucional de 14/8).

Já a Prefeitura de Belo Horizonte declarou, em resposta à imprensa, que a construção e a posterior desistência foram definidas por gestões anteriores e que não há novos planos para o local neste momento. Também reconheceu os gastos de desapropriação e o impacto sobre famílias removidas.

Enquanto a Metrô BH é citada como gestora atual da área no procedimento, em razão do contrato de concessão vinculado ao sistema metroviário (pátio/entorno do São Gabriel). A concessionária e o Estado de Minas serão oficialmente oficiados no inquérito para se manifestar.

Por que o bairro São Gabriel?

A escolha original do São Gabriel levou em conta a proximidade com a Estação do Metrô e corredores viários como a avenida Cristiano Machado e o Anel Rodoviário, formando um polo de integração. Com o abandono do projeto, moradores relatam sensação de insegurança e uso irregular do terreno.

O que observar nas próximas semanas

Projeto conceitual da “nova rodoviária” – Foto: Divulgação
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