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Na Argentina, Lula faz críticas a países membros da União Europeia

Lula cobra articulação política de ministros

Foto: Reprodução/Lula

Em seu discurso na cidade de Puerto Iguazú, na Argentina, onde esteve na terça-feira (4) para encontro da Cúpula dos chefes de Estado do Mercosul, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas a países membros da União Europeia pelas sanções impostas para selar o acordo entre os dois blocos continentais.

O encontro dos membros do Mercosul na Argentina se deveu à mudança de presidência periódica do bloco, que ocorre a cada seis meses. Desta vez, com o presidente argentino Alberto Fernández transmitindo a Lula o comando do bloco comercial sul-americano.

Lula afirmou ser inaceitável o documento europeu para que se oficialize a união dos blocos, impondo restrições que afetam os países membros do Mercosul. “O acordo deve ser equilibrado e assegurar espaço para a adoção de políticas públicas em prol da integração produtiva e da reindustrialização“, declarou

O brasileiro ainda prosseguiu: “O Instrumento Adicional apresentado pela União Europeia em março deste ano é inaceitável. Parceiros estratégicos não negociam com base em desconfiança e ameaça de sanções. É imperativo que o Mercosul apresente resposta rápida e contundente. É inadmissível abrir mão do poder de compra do estado, um dos poucos instrumentos de política industrial que nos resta. Não temos interesses em acordos que nos condenem ao eterno papel de exportadores de matérias primas, minério e petróleo”.

Um dos desafios que Lula terá que enfrentar no comando do Mercosul é o de concluir esse acordo com a união Europeia, que está impondo sanções também nas questões ambientais. A tentativa de acordo entre os blocos é negociada desde 1999.

A parte que trata das relações comerciais foi finalizada em 2019, mas ainda está em fase de revisão pelos países que compõem os blocos. Antes de assumir a presidência rotativa do Mercosul, Lula disse que não quer fechar um acordo com uma política em que “eles ganhem e a gente perca, não vamos aceitar que eles coloquem espada na cabeça do Mercosul”.

Em seu discurso, na presença dos demais chefes de Estado, o presidente afirmou que vai revisar e avançar nos acordos em negociação com o Canadá, Coreia do Sul e Singapura, além de ampliar novas frentes de negociação comercial com a China, Indonésia, Vietnã e países da América Central e Caribe.

Lula também quer criar uma moeda comum para as relações comerciais entre os países do grupo. “A adoção de uma moeda comum para realizar operações de compensação entre nossos países contribuirá para reduzir custos e facilitar ainda mais a convergência. Falo de uma moeda de referência específica para o comércio regional, que não eliminará as respectivas moedas nacionais”.

Falando sobre os Brics, Lula vê possibilidades de, com Dilma Rousseff no comando, novos horizontes se abrirem para o Mercosul, reduzindo a assimetria dos seus membros.

O governo brasileiro trabalha, como membro dos Brics, no intuito de mudar as regras do banco, de forma que a entidade possa financiar obras e faça empréstimos aos países que não são membros.

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