Durante a visita às obras da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) no Alto dos Pinheiros, em Itabira, o deputado estadual Adriano Alvarenga (PP) destacou a necessidade que o município tem de ampliar o olhar econômico para além da mineração, que ainda responde por 85% da economia local. Na sua visão, o desenvolvimento da cidade passa pelo fortalecimento de quem já empreende na cidade. “Não precisa trazer empresa de fora, basta investir em quem está aqui, basta acreditar em quem está aqui”, afirmou, defendendo mais estímulo aos pequenos, médios e microempresários itabiranos,
O parlamentar também disse que os impostos gerados pela atividade mineradora devem ser transformados em infraestrutura, diversificação econômica e qualificação profissional. “O minério é uma fonte que uma hora vai secar. Temos que aproveitar que ainda tem minério, que ainda está gerando imposto e transformar isso em benefício para a população”, disse.
Bilhões arrecadados e décadas de espera
Durante visita às obras, o deputado também comentou sobre o antigo problema da disponibilidade hídrica em Itabira. Ao falar sobre o impacto do empreendimento, considerado a solução definitiva para a crise que castiga o município há décadas, o parlamentar afirmou estar “espantado” com a demora para a solução sair do papel.
“Eu fico muito espantado de Itabira, tem 40 anos a falta de água, uma cidade que já recolheu bilhões de impostos através do minério, não fazer uma obra dessa, não favorecer a sua população”, declarou o deputado, que auxiliou nas conversas para a liberação de parte da documentação exigida para o início das obras. A fala ocorreu no momento em que o deputado ressaltava a necessidade de municípios mineradores utilizarem os impostos recolhidos do setor para estruturar suas cidades, especialmente diante da perspectiva de esgotamento das jazidas.
Para o parlamentar, as gestões passadas do município deveriam ter se antecipado aos desafios da segurança hídrica, considerando o peso histórico da mineração na arrecadação municipal e a vulnerabilidade da população aos recorrentes períodos de racionamento.
Quem é Adriano Alvarenga?
Adriano Almeida de Alvarenga está em seu primeiro mandato como deputado estadual. Antes disso, foi prefeito do município de Rio Casca por dois mandatos consecutivos e já havia sido eleito vice-prefeito do mesmo município. Durante sua gestão como prefeito de Rio Casca, também exerceu a presidência do Consórcio Intermunicipal Multissetorial do Vale do Piranga (Cimvalpi) e do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Microrregião do Vale do Piranga (Cisamapi).
No ano passado, o deputado foi contactado pelo governo municipal para acelerar a liberação da Declaração de Utilidade Pública (DUP) para realização da obra de captação de água do Rio Tanque. Em 30 de agosto de 2024, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB) esteve, acompanhado do ex-secretário de Meio Ambiente, Denes Lott, do então diretor do Saae, Carlos Carmelo “CAC”, e de Júlio Contador, atual secretário de Fazenda e vereador licenciado, para entregar à secretária estadual de Meio Ambiente, Marília Carvalho de Melo, o ofício pedindo que a obra fosse reconhecida como de utilidade pública.
A reunião ocorreu no gabinete de Adriano Alvarenga na Assembleia, onde ele esteve representado por sua chefe de gabinete, Edileusa Moreira, e contou também com o subsecretário de Saneamento, Anderson Diniz. Cerca de dois meses depois, em 16 de outubro, o Governo de Minas publicou a DUP no Diário Oficial, etapa considerada decisiva para avançar no licenciamento ambiental.
Na semana seguinte, a Unidade Regional de Regularização Ambiental (URA) Sul de Minas, vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semad), concedeu a Licença Ambiental Simplificada (LAS/RAS) para a transposição, outorgada em nome da Vale, responsável pela obra. A licença autorizou as intervenções ambientais e garante o direito de uso da água para o novo sistema de captação de Itabira.
Projeto Rio Tanque
A captação de água no rio Tanque foi proposta pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado pela Prefeitura Municipal de Itabira, Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e a Vale em agosto de 2020.
As obras fazem parte do maior projeto de infraestrutura hídrica já executado na cidade: um investimento de R$ 1,17 bilhão que prevê a implantação de 25 quilômetros de adutora, três estações elevatórias, um tanque de alimentação direcional, uma câmara de transição e a construção da nova ETA do Alto dos Pinheiros, com capacidade de tratamento de até 600 litros por segundo, acima da demanda atual, estimada em 400 L/s.
A estrutura deve não apenas equilibrar o abastecimento, mas também reduzir a vulnerabilidade do sistema, que há anos sofre com estiagens prolongadas e falhas no atendimento aos bairros mais altos e populosos. A expectativa é de geração de cerca de 1.200 empregos no pico das obras, priorizando mão de obra local.
A construção do novo sistema de captação também poderá ajudar na implementação de um novo Distrito Industrial no município, de acordo com o prefeito Marco Antônio Lage (PSB). O novo espaço para indústrias deverá ser construído no terreno da antiga Fazenda Palestina, próximo à barragem de Santana. A área é de posse da mineradora Vale, mas já está em fase de tramitação para que possa ser cedida à gestão municipal.

