O senador Cleitinho (Republicanos-MG), que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições em 2022, concedeu entrevista ao portal O Tempo nesta quarta-feira (17) e defendeu uma relação saudável com o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar garantiu que não é aliado ao petista, mas que não quer atrapalhar.
Cleitinho defende que cabe aos próprios políticos quebrarem essa polarização existente no Brasil. “Não vou ser uma oposição burra. Sabe por quê? Hoje o Lula é o presidente. Então, se fizer tudo errado, quem vai perder com isso é o país. [..] E eu venho conversando muito nessa situação de ser uma oposição inteligente”, afirmou o senador em entrevista ao O TEMPO.
Política de preços da Petrobras
Na entrevista concedida ao O Tempo, o senador mineiro defendeu a mudança na política de preços da Petrobras, tomada por indicados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sobre os primeiros meses da atual gestão, Cleitinho ressaltou que muita promessa ainda não saiu do papel, mas concordou com a redução dos preços.
“Uma coisa prática que (Lula) fez agora foi a questão agora da mudança da política de preço da Petrobras. Na época do Bolsonaro, o Bolsonaro fazendo de tudo para tentar reduzir a gasolina com a questão de reduzir os impostos federais e a gente viu a oposição votando contra para reduzir a gasolina só porque era o Bolsonaro. Vocês não vão ver nunca eu querer atrapalhar o país nessa questão agora. Ah, Cleitinho, mas a PPI fortalecia a Petrobras, né? Estávamos falando aqui de bilhões de reais de lucro da Petrobras. Quem é o maior acionista da Petrobras? É o governo. E o governa é o povo. Qual que é o lucro disso no bolso do povo? Nenhum. Sabe qual que é o lucro do bolso do povo? A gasolina mais barata. Então, se isso vai reduzir a gasolina ótimo. Positivo, eu vou torcer para dar certo agora”, afirmou.
Indicação ao STF
Apesar do elogio quanto a política de preços da Petrobras feita pelo governo Lula, o senador criticou a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar o advogado Cristiano Zanin, que comandou sua defesa na Lava Jato, como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) na vaga aberta, após aposentadoria de Ricardo Lewandowski. Cleitinho afirmou que votaria contra o nome de Zanin em sabatina no Senado.
“Eu acho que essa situação deveria mudar. Não é porque é o Lula. Poderia ser o Bolsonaro. Se fosse agora, se tivesse ganhado Ciro, ou se fosse assim a Simone ou futuramente daqui a quatro anos for o outro presidente, eu acho que tinha que ter meritocracia. É uma forma de não ter é indicação política na situação. Eu acho que isso aí é um pouco imoral. A gente está falando do advogado que advogou para o Lula, que o Lula agora vai indicar para o STF. Eu rejeitaria”, disse.
Critica a colegas parlamentares
Ainda na entrevista concedida ao portal O Tempo, o senador de Minas Gerais criticou os excessos dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Avante-MG), na Câmara. Nikolas usou uma peruca para ironizar mulheres trans, enquanto Janones usou termos homofóbicos contra o colega. Cleitinho contou que sua busca sempre foi pela fiscalização, “sem denegrir ninguém” e que é uma questão de “amadurecimento”.
“Se eu tivesse até uma oportunidade de estar com os dois ia falar assim: “Vocês são mineiros, vocês foram eleitos, vamos defender o povo. Essa briga ideológica de ofender um ao outro não vai levar o país a lugar nenhum. Isso ofende uma família, isso ofende os eleitores. Eu apoiei o Bolsonaro, fui eleito pela direita e você pode ver que eu nunca ofendi ninguém da esquerda. Eu nunca ofendi ninguém, porque eu tenho uma consciência de saber que os eleitores de esquerda que votaram no Lula também são meus patrões e pagam meu salário. Inclusive, eu sei que tem eleitores o Lula que votaram em mim”, afirmou.

