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Nível do Rio Guaíba fica abaixo da cota de inundação pela primeira vez em um mês

Funcionários fazem limpeza após baixa do Guaíba - Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O nível do Rio Guaíba, em Porto Alegre, ficou abaixo da cota de inundação pela primeira vez em um mês, tendo atingido a marca de 3,58 metros às 5h deste sábado (1º), dois centímetros a menos que o patamar de transbordamento (3,6 metros).

O nível do Rio vem sendo monitorado em tempo real, com o auxílio de lasers, na régua instalada na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. Os dados são compilados e divulgados pela Agência Nacional de Águas (ANA), a partir do trabalho de campo da Rede Hidrometeorológica Nacional e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O Guaíba não ficava abaixo da cota de inundação desde às 23h de 2 de maio, quando subiu a 3,67 metros. Com o recuo do rio, muitas pessoas retornam a seus lares e comércios pela primeira vez em mais de 25 dias. 

O transbordamento do Guaíba inundou diversos bairros da capital gaúcha, provocando mortes e destruindo os bens de milhares de famílias. A infraestrutura do estado também ficou fortemente comprometida, com dezenas de deslizamentos e pontes arrastadas, o que deixou milhares de famílias ilhadas. Até o momento, foram mais de 77 mil resgates.

Mesmo com o recuo das águas, porém, o risco de enchentes na região metropolitana de Porto Alegre é alto, segundo o  Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O órgão citou em boletim a continuidade dos processos hidrológicos de inundação “em função da propagação da onda de cheia proveniente das bacias hidrográficas dos rios Jacuí, Taquari, Caí e Sinos, localizados à montante do Lago Guaíba”. O Cemaden ressalta que as bacias estão “acima da cota de alerta”.

Em outras regiões do Rio Grande do Sul, o risco é ainda maior. O órgão destaca os municípios banhados pela Lagoa dos Patos.

Em Pelotas, por exemplo, a medição mais recente na região de Laranjal apontava que, às 8h, a lagoa estava a 2,43 metros, bem acima da cota de inundação, de 1,70 metro.

“O risco hidrológico poderá se agravar devido à permanência do deflúvio elevado proveniente do Lago Guaíba, cujo nível elevado pode ser acentuado pelas condições dos ventos, e devido à possibilidade de elevação dos níveis dos rios nas bacias dos rios Camaquã, Arroio Fragata e Canal São Gonçalo, rio Piratini, Arroio Grande e Jaguarão”, disse o Cemaden.

As fortes chuvas que atingiram o estado começaram a cair em 27 de abril, tendo avançado na direção norte por mais de uma semana. O mau tempo deixou um rastro de enxurradas e inundações, com mortes e destruição ao longo de rios como Taquari, Sinos, Caí, Gravataí, Pardo e Jacuí. Um imenso volume d´água depois desembocou no Guaíba.

De acordo com as informações mais recentes da Defesa Civil gaúcha, até momento foram registradas 171 mortes, enquanto 43 pessoas seguem desaparecidas. Mais de 2,3 milhões de pessoas foram afetadas. No auge das cheias, cerca de 630 mil tiveram que deixar suas casas. Há ainda 39 mil pessoas em abrigos temporários.

*Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo

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