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No clássico das narrativas, Atlético deu aula sobre como utilizar as adversidades ao seu favor

No clássico das narrativas, Atlético deu aula sobre como utilizar as adversidades ao seu favor

Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro

Eram muitas as dificuldades. Não bastasse o momento ruim dentro e fora do campo, o Atlético chegou ao clássico do último sábado (2), contra o Cruzeiro, com um elenco, já limitado, desfalcado e sem sua principal referência técnica. Do outro lado, havia um adversário motivado, em franca ascensão e com seu time titular à disposição. Duas narrativas completamente opostas, que apontavam um favoritismo claro da Raposa. Mas estamos falando de um clássico.

Quantas vezes, neste tipo de confronto, times limitados se superaram para bater um rival superior? Quando a bola rolou no Mineirão, o Atlético do ameaçado Eduardo Domínguez foi muito competente ao fazer o que lhe era possível: se fechar de forma inteligente e aproveitar escapadas em contra-ataque.

Sem Hulk — prestes a se despedir oficialmente do clube —, Cuello e sua dupla de Victors Hugo’s, o Galo recorreu a uma escalação com três zagueiros, um meio-campo bem preenchido e jogadores de frente que também pudessem ajudar a fechar os espaços.

Pela esquerda, Renan Lodi (o melhor em campo) foi o coringa do Barba. Com muita liberdade, articulou o time tanto pelo meio quanto pelas beiradas. Assim, o Atlético neutralizou seu rival e foi muito eficiente para abrir 2 a 0 ainda no primeiro tempo.

Em pane, o Cruzeiro não soube reagir ao cenário desfavorável. Nem mesmo a entrada de Neyser Villarreal no lugar de Kauã Moraes, ainda na etapa inicial, foi capaz de fazer o time exercer sua suposta superioridade.

A partir da reta final do primeiro tempo, a Raposa até ocupou um pouco mais o campo de ataque. Mas nada que fizesse de Everson o melhor em campo. O que se viu, na verdade, foi um time nervoso e pouco associativo.

Uma decepção para os mais de 50 mil torcedores que lotaram o Mineirão. A expectativa por uma vitória com autoridade deu lugar à frustração e à certeza de que este elenco segue sendo incapaz de inspirar confiança em momentos decisivos. Mais do que uma reformulação técnica, é preciso um choque de mentalidade urgente.

Quanto ao Atlético, o único ponto de lamentação é a tola expulsão de Lyanco, que impediu uma vitória ainda maior. Com dois jogadores a mais e um ambiente totalmente favorável, bastaria ao time de Eduardo Domínguez colocar a bola no chão e atropelar o seu rival. Mas a infantilidade do bom zagueiro atleticano salvou a pele do Cruzeiro.

O que esse resultado diz sobre o futuro de ambos? Diante de dois times instáveis, é difícil saber. Nem sempre o Galo chegará a um jogo “sem responsabilidade” com a vitória. Haverá dias em que serão necessárias estratégias mais complexas do que se fechar atrás da linha da bola e aproveitar contra-ataques.

Do outro lado da lagoa, o mais normal seria uma resposta imediata do clube celeste já nesta quarta-feira (6), no fundamental confronto contra a Universidad Católica pela Libertadores. Porém, como acreditar na mobilização de um grupo tão desconectado da realidade?

A imprevisibilidade é a marca dos dois rivais mineiros na temporada, e isso novamente ficou provado neste final de semana. Para o bem e para o mal.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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