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No Mundial das surpresas, futebol europeu é “traído” pelas armas criadas e disseminadas por ele mundo afora

No Mundial das surpresas, futebol europeu é “traído” pelas armas criadas e disseminadas por ele mundo afora

Foto: Vítor Silva/Botafogo

Iniciado há oito dias, o novo Mundial de Clubes surpreende. Tanto pelas “zebras” quanto pela competitividade entre universos esportivos outrora considerados distantes técnica, tática e fisicamente. Com destaque para o bom desempenho dos quatro representantes brasileiros da competição.

Palmeiras, Fluminense, Flamengo e Botafogo lideram seus grupos e ostentam no currículo vitórias contra times como Chelsea e PSG, atual campeão da Champions League. Clubes de outros países, como Monterrey e Boca Juniors, também arrancaram pontos de Inter de Milão e Benfica, respectivamente.

Ao contrário do que sugerem as análises exageradas, esse equilíbrio é uma consequência natural de um fenômeno que extrapola o futebol: a globalização. Quando Pep Guardiola e José Mourinho travaram embates de altíssimo nível no início da última década, novas ideias nos conduziram à mais recente revolução do futebol.

Enquanto o técnico espanhol se pautava no jogo de posse, na superioridade numérica em todos os setores e nas intensas movimentações ofensivas para fazer do Barcelona um dos times mais fortes de todos os tempos, o português, então no Real Madrid, se desdobrava para criar seu contraveneno.

Para combater Lionel Messi e Cia, a receita eram as linhas distribuídas em no máximo 30 metros, pressão intensa no homem da bola e uma marcação mais focada no controle dos espaços do que nos adversários. Uma maneira de parar um time em alta rotação sem se desorganizar ou se desgastar tanto.

Os anos se passaram, ambos ganharam e perderam seguindo seus estilos e os conceitos se desenvolveram, sendo utilizados, também, em outros centros. No futebol moderno e de alto nível, jogar em 30 metros ou ter defensores de bom passe deixou de ser um privilégio para se tornar uma obrigação.

Por isso, mesmo o futebol se desenvolvendo e nos surpreendendo diariamente, a democratização desses ensinamentos permite a equipes mais limitadas competir. O Botafogo, por exemplo, não seria ousado o bastante para fazer um jogo franco contra o campeão da Champions.

Porém, bastou aos comandados de Renato Paiva encurtar seus setores, pressionar de forma perfeita a posse adversária e acelerar a cada recuperação — como sempre fizeram os bons times do seu conterrâneo Mourinho — para alcançarem uma vitória épica.

Espanta, negativamente, a dificuldade das potências europeias para furar esses bloqueios. O momento físico é fator importante, mas Inter de Milão, Benfica, Borussia, Porto, Chelsea e o próprio PSG poderiam e deveriam fazer mais. Em alguns momentos, temos a impressão de que ainda estão acostumados às antigas vitórias conquistadas no “automático”.

Diante deste cenário, ouvimos discursos precipitados, como se o Mundial, realizado nos Estados Unidos, representasse uma nova mudança na ordem mundial do esporte. Quando, na verdade, ele é apenas símbolo dos novos tempos da sociedade e, consequentemente, do futebol.

* Texto produzido antes dos confrontos de Botafogo e Palmeiras contra Atlético de Madrid e Inter Miami, respectivamente.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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