Servidor público de carreira, o secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Itabira, Jader Magalhães, terá pela frente uma missão ainda mais desafiadora. A partir de 21 de novembro, ele será o novo presidente do Valeriodoce Esporte Clube.
A gestão, válida até 2028, ocorrerá em um momento importante do Dragão, de volta aos gramados após um longo período de inatividade. No entanto, surgem também os desafios, tratados nesta entrevista exclusiva da DeFato Online com o novo presidente do Valério. Confira!
P: Quais os principais objetivos da nova gestão a curto, médio e longo prazo?
Jader: Nosso objetivo é reaproximar a sociedade do clube e o clube da sociedade. Para isso, será necessário repensar as formas de interlocução com a cidade. Entre o apogeu do clube na década de 1990 e os dias atuais, o mundo se transformou, mas, de alguma forma, a instituição não acompanhou essa mudança. Focar em uma vivência sócio-cultural, esportiva e inclusiva, antenada nesses novos tempos, é o caminho mais curto para os resultados começarem a aparecer. A partir daí teremos condições de repactuar com os associados do clube, que são a razão do Valeriodoce continuar respirando o nosso futuro.
P: Para as últimas disputas, o Valério contou com aporte de recursos da Prefeitura e da Câmara de Itabira, o que inclusive gerou críticas de parte da população. Como o senhor encara isso?
Jader: O clube está implantado em uma área de aproximadamente 40.000 metros quadrados que pertencem ao município. A Prefeitura, por sua vez, emitiu ao clube uma permissão de uso desses espaços. Só por este fato, entendo como justificável os investimentos de poder público no clube no sentido de manutenção de um patrimônio que também é público. Somado a isso, minha experiência como gestor público não me deixa dúvidas de que cada real investido nas práticas esportivas retorna como qualidade de vida para a população, além de retroalimentar a economia do município. O dinheiro aportado retorna para economia em forma de produtos e serviços. Por outro lado, nós sabemos que verba pública tem limite. Nesse sentido, é urgente que todas as instituições que, assim como o Valeriodoce, recebem aporte financeiro de origem pública, otimizem seus custeios e busquem soluções na própria regulação do mercado para se tornarem autossuficientes sob os aspectos financeiros. Iremos trabalhar para preparar a instituição para andar com as próprias pernas.
P: Qual o planejamento da gestão para criar alternativas financeiras para o Valério?
Jader: A razão de todo clube existir é o seu associado. Parte da solução para a auto suficiência financeira está na captação de novos membros. Estamos trabalhando para que o clube admita pelo menos 800 novos associados, o que, pelas projeções iniciais, já tornaria a parte social do clube financeiramente viável. Outra vertente, ainda a ser discutida internamente, é o investimento na formação de atletas, reestruturando as categorias de base do futebol. A possibilidade de transação de atletas formados na nossa base pode ser ferramenta de equilíbrio financeiro e ajudar o futebol a se manter.
P: A cada fim de competição, os elencos são desmanchados. Faz parte do seu objetivo manter um projeto contínuo, sem grandes rupturas? O que seria preciso para isso?
Jader: Montar as equipes de futebol às vésperas da competição não é, a meu ver, a melhor opção. Entretanto, a desestruturação existente hoje não nos permite montar uma equipe com a antecedência ou a perenidade necessária. Para isso não há solução de curto prazo. Ou se investe na base e na formação de atletas ou se gasta muito dinheiro com elenco já formado. O exemplo virtuoso pode vir do próprio Dragão, que colheu enorme sucesso com as equipes do final dos anos 1980 e início dos anos 1990 quando os atletas formados na base se profissionalizaram e o clube foi campeão mineiro de juniores e campeão mineiro do interior.
P: Parte das arquibancadas, abaixo das cabines de transmissão, não foram liberadas nos últimos anos. O que o senhor pretende fazer diante dessa situação?
Jader: O estádio municipal Israel Pinheiro não reúne condições técnicas para sua ocupação em capacidade máxima. Será preciso investimento financeiro para sua adequação às normas vigentes. Vamos procurar apoio junto ao município de Itabira, que é o seu proprietário, para sanar essas pendências. Além, é claro, de prospectar no mercado privado investidores e patrocinadores que possam contribuir nessas soluções.
P: A que pé está a procura por um investidor da SAF? Francis Melo ainda está à frente deste processo?
Jader: Francis Melo é um parceiro do Valeriodoce, sua experiência no meio do futebol certamente contribui para a atratividade de potenciais investidores. O processo é conduzido pelo clube através da observância do regramento estabelecido em seu estatuto. Estamos atentos às possibilidades.
P: Algo que gerou muita reclamação dos torcedores recentemente foi a dificuldade em adquirir ingressos para os jogos em Itabira. Era comum a venda em determinado ponto acabar antes mesmo da chegada dos bilhetes. O senhor está ciente do problema? Como pretende resolver isso?
Jader: Infelizmente, a capacidade reduzida do estádio impossibilita acolher toda a torcida da forma como gostaríamos. A pouca oferta, somada à grande procura ocorrida no campeonato de 2025, gera essa insatisfação do torcedor. Trabalhar para disponibilizar a totalidade da arquibancada é nosso objetivo para o campeonato de 2026.
P: Quais os planos da gestão para as categorias de base e o futebol feminino do Valério?
Jader: Entre os planos de redirecionamento do Valeriodoce estão a criação do setor de esportes paralímpicos, de futebol feminino e também do programa de compliance. A base retorna imediatamente com a escolinha de futsal, inspirada no exitoso trabalho do saudoso Professor Basilinho. O futebol feminino também estará na estrutura do clube, bem como os esportes paralímpicos. Todos esses projetos liderados por sócios do clube com afinidade técnica e funcional com a atividade esportiva a ser desenvolvida.

