A Prefeitura de Itabira, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento; o Sindicato Rural de Itabira; a EMATER-MG escritório de Itabira; a Associação dos Produtores da Agricultura Familiar de Itabira- APAFI; e a Faculdade UNA de Itabira – instituições que compõem o conselho gestor da Fazenda São Lourenço – Crasir – , veio a público informar sobre o incêndio de grandes proporções ocorrido nos dias 4 e 5 de setembro.
De acordo com a prefeitura, a Fazenda São Lourenço foi alvo de incêndio, com causa desconhecida. Conforme boletim de ocorrência lavrado pelo Corpo de Bombeiros, no dia 4 o incêndio foi iniciado ao fim da tarde e debelado por volta de 22h.
Na nota de esclarecimento a Prefeitura de Itabira disse que, “neste dia, nenhum membro do conselho gestor ou funcionário do Crasir foi comunicado do ocorrido. Entretanto, no domingo, dia 5, por volta de 7h30, novo foco foi detectado próximo ao local do incêndio anterior, tomando proporções gigantescas em pouco tempo, rompendo os aceiros e estradas, o que restringiu e impediu a ação dos brigadistas, culminando com a queima de praticamente toda vegetação”.
A prefeitura reforça, ainda, que foi o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Mauro Lúcio Ferreira, quem acionou o Corpo de Bombeiros no dia 5 de setembro. “Ele esteve presente durante toda operação, apoiada também por funcionários do Crasir, da Prefeitura Municipal e vizinhos do imóvel. A operação não alcançou êxito, apesar dos esforços dos presentes”, informou a nota.
“O conselho gestor lamenta profundamente o ocorrido e informa que está aguardando a apuração dos fatos pela perícia da Polícia Civil e já retomou as ações para continuar o trabalho tão necessário na Fazenda São Lourenço – Crasir em prol desenvolvimento do agronegócio em Itabira”, finaliza a nota de esclarecimento.
Sobre a Fazenda São Lourenço
O local, que conta com cerca de 205 hectares, é de propriedade da União Federal e serviu de base para a Epamig entre os anos de 2008 a 2017. Em 2018, foi criado o Crasir e o imóvel passou a ser administrado por um conselho gestor.
Apoiado financeiramente pela Prefeitura, o Crasir desenvolve projetos nas áreas de cultura e criação agropecuárias, visando difusão de tecnologia, produção de material genético vegetal, realização de cursos de capacitação técnica, celebração de parcerias público-privadas e projetos de cunho científico e universitário.
A Fazenda São Lourenço, há alguns anos, vem sendo alvo de incêndios, vandalismos e furtos, muito em função da sua localização. A propriedade é cortada pela rodovia LMG-779, que liga Itabira a João Monlevade; tem cerca de 2 km de estrada rural municipal; e possui 81% de sua área coberta por pastagens cultivadas, que são muito vulneráveis à ação do fogo.
A Prefeitura de Itabira informou que, no intuito de minimizar os problemas com queimadas, o conselho gestor vem realizando ações preventivas nos últimos anos. Em 2020 foram investidos R$ 4.351,00 na construção de 6.000 m² de aceiros, que são espaços livres de vegetação, construídos para evitar a entrada e proliferação de fogo.
Agora, em 2021, foram investidos R$ 8.540,40 na construção de 4 mil m² de aceiros, patrolamento e abertura de 6 quilômetros de estradas internas para atuarem como barreiras a dispersão de incêndio. Infelizmente, na ocorrência do último final de semana, nenhuma dessas ações ajudou a conter as chamas.
O que dizem os bombeiros
Em seu perfil no Instagram, o Corpo de Bombeiros explicou que a guarnição do 6º Pelotão, comandada pelo Sargento Nixon e composta pelos Soldados Samuel e Paulo Ferreira, combateu o incêndio na Fazenda São Lourenço.
“Os militares utilizaram água do caminhão e abafadores para controlar as chamas. Após exaustivas horas de trabalho, os bombeiros conseguiram com que a sede da fazenda, bem como as casas próximas fossem preservadas. Infelizmente, uma grande área dedicada à pesquisa de cultivo de uva, goiaba e cana-de-açúcar foi atingida pelas chamas”, diz a postagem.
Na mesma publicação, os bombeiros lamentam o ocorrido. “Um grande dano à flora, à fauna e à pesquisa que ali era desenvolvida. A estimativa é de que os 205 hectares tenham sido consumidos pelo fogo”, finaliza.

