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Nova realidade: primeiro dia de aulas à distância impacta a rotina de alunos e professores

Itabiranos se dividem entre o alívio do retorno das aulas estaduais e preocupação com ensino remoto

Após dois meses de aulas suspensas, a rede estadual de ensino de Minas Gerais retomou às atividades nesta segunda-feira (18), mas de um jeito diferente. Seguindo o plano proposto pelo Governo do Estado, milhares de alunos terão conteúdo disponibilizados de forma remota, em três frentes de atuação: apostilas disponíveis na internet, aulas por meio de emissora pública de televisão e um aplicativo que facilita o diálogo entre alunos e professores.

Segundo o governo mineiro, tal estratégia adotada tem como objetivo minimizar os impactos na aprendizagem dos estudantes durante o isolamento social, medida preventiva à pandemia do novo coronavírus. No entanto, o retorno das aulas tem dividido a opinião de itabiranos ouvidos por DeFato Online. Enquanto uns mostraram-se aliviados pela retomada das atividades, outros se preocupam com os impactos do ensino remoto no conhecimento dos alunos.

Primeiro dia

O itabirano Raycone Tiago Costa, de 12 anos, morador do bairro Pará, disse que estava ansioso para o retorno das aulas. Estudante do 7° ano do Ensino Fundamental II, da Escola Estadual Major Lage, o garoto já está preparado para dar continuidade ao ensino escolar. Raycone conta que já estava fazendo atividades à distância, com tarefas encaminhadas pela própria escola. Com o computador, ele pretende assistir às aulas transmitidas pelo programa “Se Liga na Educação”, no canal do Youtube da Rede Minas.

“Eu estou animado! Eu prefiro assistir às aulas no computador. Não acho que vai ser difícil aprender porque eu já assisto vídeos no Youtube sobre as matérias. Vai fazer falta ter um professor perto para tirar as dúvidas. Não vai ser difícil acostumar de novo com as aulas, eu já olhava atividades no site da escola. Minha matéria favorita é matemática!”, conta o itabirano.

Mas se o filho mostra empolgação, o pai do Raycone, Márcio Antônio Costa, de 57 anos, está preocupado com a nova dinâmica das aulas. Segundo ele, o ensino do jovem poderá ser prejudicado pela ausência das aulas presenciais, principalmente pela falta de professores.

“Na minha opinião, não deveria ter voltado assim. Isso vai dificultar a aprendizagem. Ele não vai estudar igual na escola porque na frente do computador é muito mais fácil distrair, o foco é diferente. Seria melhor esperar essa situação do país passar para começar tudo do início”, disse o pai.

No primeiro dia de aula, o site da Rede Minas – que transmitiria as vídeoaulas – apresentou instabilidade. Nesta manhã, alunos usaram das redes sociais para reclamar da situação.

“Devido a instabilidades no nosso site, hoje, excepcionalmente, para que os alunos não ficassem sem aulas, estamos transmitindo pelo YouTube”, afirmou a Rede Minas em resposta aos estudantes, no Twitter.

Além do site “Estude em Casa” e do aplicativo, os conteúdos também são transmitidos na televisão, pela Rede Minas. Mas a emissora abrange apenas 186 dos 853 municípios mineiros.

Retorno otimista

O irmão mais velho de Raycone, Marlon Antônio Tiago Costa, de 21 anos, acredita que o retorno será muito positivo para ocupar o tempo ocioso do irmão. Contudo, como o pai, ele se preocupa com a forma que será repassada o conteúdo ao caçula. “Vai ser bom para ele aprender um pouco, não como nas aulas presenciais, mas já ajuda no conhecimento, além de ocupar o tempo dele”, relata Marlon.

Para o professor e mestre em História, Renan Vinícius Magalhães, o cenário é otimista para o retorno das aulas, uma vez que os alunos estavam há dois meses sem atividades escolares. Entretanto, ele afirma que muitos desafios ainda serão encontrados no processo de adaptação à nova dinâmica da rede estadual de Minas Gerais. Dessa forma, o professor da Escola Estadual Desembargador Moreira Santos, de São Gonçalo do Rio Abaixo, conversou ao vivo com a DeFato sobre o tema. Veja a entrevista completa:

 

 

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