“O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, venceu o prêmio de filme em língua não inglesa no Globo de Ouro, superando candidatos importantes, como o norueguês “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, e “Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi. E Wagner Moura foi escolhido o melhor ator em filme de drama. A cerimônia da 83ª edição da premiação foi realizada na noite de domingo (11) em Los Angeles; o filme brasileiro concorria ainda como melhor drama, prêmio que foi para “Hamnet”.
“Esse é um momento importante para se fazer filmes”, disse Mendonça Filho ao receber o prêmio no palco. “Eu dedico esse prêmio aos jovens cineastas. Façam filmes”, completou.
Antes do início da cerimônia, o diretor brasileiro falou, no tapete vermelho, sobre como entende a produção. “Nosso país tem um problema com memória. Muita gente fala que é um filme sobre memória, mas acho que é um filme sobre amnésia — o brasileiro, o francês, os alemães, os australianos, os americanos, todos estão entendendo muito bem o filme. Tem se tornado um filme muito universal por falar de poder, o poder querendo esmagar alguém, e também sobre como a memória é abandonada, é esquecida”.
Wagner Moura também destacou o que considera uma das qualidades do longa: “Muitos filmes políticos se perdem porque o discurso vem antes da humanidade. Quando é ao contrário, não tem jeito: as pessoas vão olhar aquela pessoa e reconhecê-la. Quando você vê uma obra, e ela te transforma, isso é política. Eu gosto de cinema político, e esse filme é”.
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Outro prêmios
Rose Byrne, de “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, repetiu o feito do Critics Choice Awards e venceu entre as atrizes de comédia ou musical, batendo concorrentes de peso, como Emma Stone, de “Bugonia”. O prêmio de melhor ator de comédia ou musical foi para Timothée Chalamet, que vem acumulando vitórias e já é tido como favorito para o Oscar — ele superou os veteranos Leonardo Di Caprio, de “Uma Batalha Após a Outra”; George Clooney, de “Jay Kelly”; Ethan Hawke, de “Blue Moon”; e L.B.-Hun, de “A Última Saída”. No discurso, Chalamet destacou a grandeza dos concorrentes: “Estou em uma categoria com muitos dos grandes, admiro todos vocês”, disse o ator.
Teyana Taylor, de “Uma Batalha Após a Outra” (que deu a Paul Thomas Anderson o prêmio de direção), foi escolhida como melhor atriz coadjuvante e disse que “o amor é uma ação, não só uma palavra”. Em seguida, Stellan Skarsgard, melhor ator coadjuvante por “Valor Sentimental”, defendeu a experiência de ir às salas de cinema: “Quando as luzes se apagam, você começa a compartilhar a respiração com os outros, é algo mágico. Cinema deve ser visto no cinema”.
Nas categorias de televisão, Jean Smart levou pelo segundo ano consecutivo o prêmio de melhor atriz em comédia. Entre os atores dramáticos, venceu Noah Wyle, pelo seu trabalho na série “The Pitt”. O melhor ator de comédia foi Seth Rogen, de “O Estúdio”. Owen Cooper, o jovem astro de “Adolescência”, ficou com o prêmio de melhor ator coadjuvante em filme para TV ou série limitada — da mesma produção, Stephen Graham venceu o prêmio de melhor ator. A melhor atriz foi Michelle Williams, por “Morrendo por Sexo”.

