Site icon DeFato Online

O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e técnicos dizendo adeus

O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e técnicos dizendo adeus

Foto: André Durão

Oswald de Andrade há de me perdoar pela heresia cometida no título deste texto. Mas a realidade talvez seja minha amiga. Em seis rodadas de Campeonato Brasileiro, já chegamos a CINCO técnicos demitidos. Quase um por rodada. O último deles? Fábio Carille, mandado para a rua após a derrota do Vasco para o Cruzeiro, na noite deste domingo (27), por 1 a 0.

Mano Menezes (Fluminense), Pedro Caixinha (Santos), Gustavo Quinteros (Grêmio) e Ramón Díaz (Corinthians) juntam-se a ele na infeliz lista, retrato de um futebol atrasado preso em seus velhos hábitos. Mais do que atestar a qualidade dos profissionais citados acima, essa intensa rotação expõe a falta de planejamento dos clubes brasileiros, incapazes de definirem o que realmente desejam para a temporada.

Ou melhor, até sabem: todos querem ser campeões. Mas um porém, um tanto óbvio, precisa ser dito. São poucas taças para muitos clubes. Não obstante, acompanhamos a entrevistas bizarras, como a concedida pelo presidente do Santos, Marcelo Teixeira, após derrota para o Vasco na primeira rodada, ainda sob o comando de Fábio Carille.

Recém promovido da Série B e dono de elenco limitadíssimo, o Peixe foi colocado como candidato a títulos pelo seu principal gestor. Ignorando completamente suas próprias e atuais fragilidades e a força técnica e econômica dos seus adversários. Resumindo: uma falsa ilusão.

O torcedor, também pouco consciente, embarca na ideia, a cobrança supera a realidade e o inevitável acontece: mais um técnico é demitido. E se as demissões significassem a chegada de profissionais mais interessantes, o dano seria menor. No entanto, o que vemos são os clubes presos nos mesmos nomes. Um limitadíssimo radar.

Essa terrível mania parecia arrefecer nos últimos anos. Chegou-se a criar uma regra — facilmente burlada, já que as demissões foram substituídas por “decisões em comum acordo” — limitando as trocas a apenas uma por temporada. Mas parecem todos bem tranquilos com este cenário.

Tanto os clubes, que seguem vendendo ilusões para o torcedor, quanto os técnicos, cujos bolsos seguem cheios com as multas rescisórias milionárias. Pobre futebol.

Sobre o colunista

Victor Eduardo é jornalista e escreve sobre esportes em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

Exit mobile version