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O cavalo de pau do Donald Trump

Donald Trump é uma personagem complexa. O republicano é excelente amostra para discípulos de Freud. Uma boa sugestão de pesquisas para  psiquiatras ou psicólogos. Trump, na prática, assume múltiplas facetas na geopolítica. Em algumas circunstâncias, se porta como São Francisco de Assis. Nestas ocasiões, distribui promessas de paz e amor mundo afora. Em outros momentos, encarna o papel de Átila, o Huno. E, nesta conformação, ameaça o planeta com males inimagináveis. Os dois papéis trumpistas, porém, não ultrapassam os limites da retórica. São meras galhofas. E assim, de cena em cena, Donald vai dando sucessivos cavalos de pau com o seu potente e perigoso veículo planetário.

Já a situação de Israel, no teatro do Oriente Médio, é patética. Uma cena peculiar de certo cotidiano familiar ilustra esta narrativa. Em algumas casas, existe uma criança sapeca com notória especialização em atazanar a vizinhança. O pirralho é muito frágil, mas tem um irmão praticante de artes marciais. Esse detalhe enche o “capeta em forma de guri” de desproporcional coragem. E tomem palavrões, pedradas nas vidraças, chutes em vira-latas e outros tipos de “artes”.  Mas, quando outro moleque atrevido decide encarar o peralta, o mano do peito aparece para proteger o malcriado. Esta alegoria revela a dinâmica do relacionamento entre Benjamin Bibi Netanyahu e Donald Trump. “Bibizinho” mexe com os moradores das proximidades, mas, quando a coisa complica, pede ajuda ao grande irmão do Norte. Então, neste contexto, o estado sionista é o “pentelho” atrevido das relações internacionais. A pátria de Tio Sam representa o onipresente mano do peito.

E, nesta chanchada toda, quem é mais confiável? Trump ou Bibi? Respondo sem medo mínimo de errar: mil vezes o norte-americano. Aposto todas as minhas fichas no atual morador da Casa Branca. Por motivo óbvio. As mãos do presidente dos EUA ainda não estão encharcadas de sangue. Orange é falastrão, exótico, temperamental e arrogante, todavia, nenhum massacre humano mancha o seu currículo.  Veja este recente exemplo de previdência no cenário da guerra.  Os americanos invadiram o Irã e atacaram três instalações nucleares: Fordow, Natanz e Isafahan. A ação foi cirurgicamente perfeita. Com um detalhe exponencial: o bombardeiro B-2 não matou iranianos. Sequer feriu alguém. Israel, por sua vez, agrediu Teerã com mísseis e bombas. Detonou os principais comandantes das forças armadas do país islâmico. Poucos civis perderam a vida nesta intervenção espetacular.

Agora, só para contrariar, vem a pergunta estraga- prazer: por que os estrategistas israelenses não foram tão seletivos na Faixa de Gaza? Precisariam ter assassinado mais de 40 mil palestinos para tentar aniquilar a liderança do Hamas? A maioria das vítimas é crianças, idosos e mulheres. Havia a necessidade de um genocídio para a eliminação de tão poucos? E pior. O grupo terrorista não foi exterminado. O carniceiro Bibi lambuzou-se de sangue com precária eficiência. Contudo, o banquete da vida não é gratuito. A lei do retorno é implacável.  Em breve, o premier judeu beberá indigesto suco de cana. Aguarde.

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portal DeFato Online.

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