O outro lado da pandemia: o arrocho vivido pelos comércios da região
Bruno Andrade
Divulgação/Mel Santa Bárbara
Comerciantes do Médio Piracicaba têm resistido à passagem da pandemia. No cenário dos últimos meses, com a imposição da onda roxa do plano Minas Consciente, do Governo do Estado, os setores como lojas, serviços e atividades informais permaneceram no epicentro das incertezas econômicas, em um abre e fecha que põe em xeque a sustentabilidade das empresas e o emprego de milhares de trabalhadores.
Ao menos 18 cidades da região anunciaram adesão à onda roxa, fase que impôs o fechamento do comércio não essencial e o toque de recolher entre 20h e 5h. No âmbito da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi), o pacto reuniu Itabira, Rio Piracicaba, Nova Era, Bom Jesus do Amparo, Bela Vista de Minas, Itambé do Mato Dentro, Barão de Cocais, Ferros, São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Maria de Itabira, Catas Altas, Santa Bárbara, Morro do Pilar, Passabém, Alvinópolis, São Domingos do Prata, Dom Silvério e Sem Peixe.
A partir de 17 de março, o Governo de Minas determinou a extensão da onda roxa, e a impôs aos 853 municípios mineiros. Já na semana do dia 19 de abril, diversos municípios anunciaram flexibilização econômica de setores que estavam sob portas fechadas. Apesar disso, as microrregiões de Itabira e João Monlevade foram mantidas na onda roxa pelo Estado. Conceição do Mato Dentro, por sua vez, avançou à onda vermelha.
Acom/Câmara Municipal de Barão de Cocais
Monlevade: 71% já demitiram
A Câmara dos Dirigentes Lojistas de João Monlevade (CDL-JM) divulgou, em abril, uma pesquisa que fornece a dimensão da crise provocada pela pandemia da Covid-19 na cidade. Conforme a entidade, de 126 empresas consultadas no município, 71% delas já demitiram ou demitirão funcionários no futuro imediato. Das empresas ouvidas, 68% não tinham quitado os salários dos empregados referentes a março.
Além disso, 42% dos entrevistados não terão acesso a empréstimos da rede bancária. Outro ponto levantado foi que grande parte das empresas está incluída nas listas de proteção ao crédito, comprometidas, principalmente, pelos pagamentos de água e eletricidade. O fornecimento desses serviços pode ser cortado das pessoas jurídicas mesmo durante a pandemia.
Santa-barbarenses mantém economia viva em meio à crise
O mercado de trabalho formal na cidade de Santa Bárbara mantém estabilidade apesar das medidas tomadas para conter o avanço do Sars-CoV-2. O equilíbrio razoável de setores empresariais no município é demonstrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), base de dados do Ministério da Economia. Mês a mês, as empresas informam ao Caged o número de admissões e desligamentos realizados. Assim, Santa Bárbara contratou 2.381 trabalhadores com carteira assinada em 2020, e demitiu 1.665 — saldo positivo, portanto, de 716.
Apesar do avanço da nova onda do coronavírus em 2021, os primeiros meses do ano começaram estabilizados em Santa Bárbara: a variação das contratações e das demissões ficou positiva em janeiro e fevereiro (balanço fechado até a redação desta matéria) com 120 empregos gerados no período.
Se por um lado o Caged indica estabilidade econômica no município de cerca de 30 mil habitantes, por outro, os empresários estão cortando um dobrado para segurar as contas. É o que revela Luiz Antônio da Silva, diretor-presidente da Associação Comercial e Empresarial e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Bárbara (Acisb/CDL).
“Para manterem seus empreendimentos ativos em Santa Bárbara, o que observamos são empresários utilizando de todas as armas disponíveis para defenderem o negócio: negociação com fornecedores para dilação de prazo, renegociação dos valores de aluguéis, novos empréstimos com juros mais baratos etc. Inclusive, o empresariado tem utilizado de reservas financeiras pessoais e feito até a venda de patrimônio para não falirem”, afirma Luiz Antônio da Silva.
Os comerciantes tiveram que se reinventar com a pandemia de Covid-19. Mas, não foi tão simples para os setores tradicionais levarem seus serviços para o e-commerce, comenta Luiz Antônio da Silva. Pelo contrário. Muitos dos empresários santa-barbarenses tiveram que entender e aprender como venderem de forma remota.
“São necessários novos investimentos. No decorrer de 2020, com as diversas restrições que sofremos, muitas de nossas empresas utilizaram de medidas mitigadoras disponibilizadas pelo Governo Federal [redução da jornada e salário, suspensão de contratos e linhas de crédito para pagar os funcionários]. Inicialmente, ocorreram demissões devido às incertezas trazidas pela pandemia. Porém, passado o período crítico, ocorreram novas contratações e a recontratação de funcionários demitidos”, ponderou o dirigente.