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O potencial empreendedor das comunidades: conheça a Bolsa de Valores das Favelas

bolsa de valores

Divulgação

Em pesquisa realizada em junho deste ano pela B3, a Bolsa de Valores brasileira, estipulou-se que 3,8 milhões de cidadãos brasileiros possuíam contas cadastradas em uma corretora de investimentos. Ou seja, em comparação com o mesmo período de 2019, houve um crescimento de 43% no número de pessoas com algum tipo de investimento na Bolsa.

Tradicionalmente, existem dois tipos principais de investimentos: os de renda fixa e os de renda variável. Investir em ações de empresas, por exemplo, significa expor uma parte do dinheiro investido a maiores oscilações. Por isso, recomenda-se que o investimento seja diversificado, para que as possíveis perdas em um setor ou de uma empresa tenham um menor impacto na carteira do investidor.

E, por falar em diversificação, ela não poderá apenas ser feita entre os diversos instrumentos financeiros negociados na B3. No mês de novembro deste ano, foi anunciada a criação da Bolsa de Valores das Favelas, uma plataforma que, à semelhança da Bolsa de Valores mais conhecida no país, abre as portas para o investimento em empresas.

O que é a Bolsa de Valores das Favelas?

A Bolsa de Valores das Favelas é um projeto criado pelo G10 Favelas, que é o grupo formado pelas 10 maiores favelas do Brasil, entre elas Rocinha, no Rio de Janeiro, e Paraisópolis, no estado de São Paulo. O funcionamento dessa Bolsa tem semelhanças notáveis com o da Bolsa de Valores tradicional: cotas de negócios poderão ser comprados e vendidos por investidores, que receberão rendimentos com base nos lucros.

Atualmente, a Bolsa de Valores das Favelas tem 18 negócios às portas de suas primeiras ofertas públicas de ações. Por enquanto, contudo, os investidores podem adquirir cotas, a partir de apenas R$ 10, de somente duas empresas: Favela Brasil Express e G10 Bank Participações.

O funcionamento da Favela Brasil Express é baseado no serviço de entrega de produtos nas comunidades. Conforme apontou o presidente do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, os moradores dessas comunidades não recebiam os produtos adquiridos por meio dos aplicativos de compras mais conhecidas. Assim, o Favela Brasil Express foi criado, a partir de uma parceria com algumas empresas, para ser um “mediador” no processo de envio e recebimento de encomendas. O G10 Bank Participações, por sua vez, é uma entidade fornecedora de créditos para os microempreendedores que moram nessas comunidades.

As comunidades que compõem o G10 Favelas, de acordo com dados levantados pelo Outdoor Social Inteligência neste ano, têm um potencial de consumo de R$ 9,9 bilhões por ano. Ainda segundo esse instituto que se dedica a analisar o consumo da classe C, os negócios sediados em uma das comunidades que integram o G10 Favelas são responsáveis por 43,5% dos negócios presentes nas comunidades de todo o Brasil. Atualmente, existem mais de 13 mil favelas no país.

Esses 43,5% significam 125 mil empresas, um número que, para os responsáveis pela criação do Favela Brasil Express e da Bolsa de Valores das Favelas, mostram “o grande potencial de empreendedorismo” existente nas comunidades, e “encorajam” os moradores a empreender.

Considerações finais

Sem dúvida, a Bolsa de Valores das Favelas é um poderoso estímulo para que as classes com menos recursos financeiros tenham acessos alternativos ao mundo dos investimentos. Vale a pena lembrar que o investimento nos empreendimentos que já compõem e comporão essa Bolsa pode ser realizado por meio da plataforma DIVIhub, com funções semelhantes às de uma corretora de investimentos tradicional, e regulamentada pela CVM, a Comissão de Valores Mobiliários.

Embora existam ativos na B3 que podem ser adquiridos por preços muito baixos, como ações de grandes empresas (por meio da compra no mercado fracionário) e fundos imobiliários, a existência de uma entidade que busque beneficiar os moradores de comunidades é, certamente, uma ótima notícia. Assim, investir nesses empreendimentos é, além de uma forma de diversificar os investimentos, uma excelente maneira de apoiar o empreendedorismo nos locais que, até hoje, ainda são vistos com maus olhos.

 

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