Seja nas práticas mais populares ou as mais “nichadas”, o esporte está em constante evolução, atraindo, consequentemente, cada vez mais profissionais a uma importante área da saúde. Reconhecida oficialmente como uma especialidade no Brasil há 18 anos pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), a fisioterapia esportiva impacta diariamente atletas amadores e profissionais, se consolidando como um aspecto fundamental na vida de cada um deles.
Para entender melhor este cenário, conversamos com três fisioterapeutas esportivos, entre eles Cláudio Antônio Júnior, dono de uma ampla sala no centro de Belo Horizonte. O especialista destaca o alcance da área e a diversidade dos clientes atendidos em seu consultório.
“O cenário esportivo é muito amplo, pois nós temos desde jogadores de futebol de fins de semana a corredores e pessoas que fazem algum tipo de atividade esportiva. É sabido que essas práticas são fundamentais para uma boa saúde física e mental. Portanto, o acompanhamento de um profissional especializado deixou de ser um artigo de luxo para se tornar essencial à manutenção da qualidade de vida. Existe um mundo de pessoas explorando ou começando algum tipo de esporte, e é nesse público que o fisioterapeuta esportivo está lá presente para auxiliar”, relata.
Segundo Cláudio, hoje o Brasil é referência no ramo, com uma vasta produção científica capaz de ajudar a resolver problemas físicos antes considerados incorrigíveis. “Muitas pessoas não sabem, mas o Brasil é o país onde se tem mais publicações científicas na área da fisioterapia, além dos profissionais mais renomados no mundo. Hoje, por meio da ciência, a fisioterapia tem avançado muito nos tratamentos e na reabilitação de lesões e doenças que afetavam duramente a qualidade de vida das pessoas. Além disso, as tecnologias e os equipamentos atuais são bem mais tecnológicos e contam com recursos de alta acurácia para entregar o melhor tratamento possível. Muitas empresas investem pesado na busca por protocolos específicos que servem de parâmetro para nós profissionais”, explica.
Todos estes fatores, aliados à crescente busca das pessoas por atividades físicas, aumentam a atratividade da área, conclui o profissional. “Atualmente, as pessoas estão se tornando cada vez mais adeptas à atividade física. Mesmo aqueles que não gostavam, hoje entendem que é algo essencial para a saúde física e mental. Com isso, o espaço está cada vez mais aberto aos bons profissionais que queiram fazer diferença na vida das pessoas. Costumo dizer que para ser um fisioterapeuta esportivo você deve viver o esporte, pois só assim é possível entender os benefícios da prática esportiva e exercer a profissão com atenção, carinho, respeito e, acima de tudo, profissionalismo”.
Os desafios
Graduado em Fisioterapia no Centro Universitário Funcesi, Mateus Félix é sócio de uma clínica ao lado do seu irmão, Wesley. Hoje com 34 anos, o itabirano analisa o atual momento da área pela qual é apaixonado.
“Observo um crescimento contínuo, com a fisioterapia se mostrando cada vez mais eficiente e necessária dentro do cenário esportivo. Hoje, até um atleta amador, que nunca passou pela avaliação de um fisioterapeuta, tem grandes chances de encontrar dificuldades físicas funcionais ao longo da carreira”, opina.
Porém, nem tudo são flores. O desconhecimento de parte dos esportistas é tratado por Mateus como um dos principais desafios da profissão: “Ainda há muita falta de conhecimento e consciência dos atletas, principalmente os amadores, sobre a necessidade do nosso acompanhamento. Por outro lado, também existe a desvalorização por parte dos próprios clubes e instituições esportivas para com nosso trabalho. Mas isso tem mudado e consigo enxergar um futuro promissor”.
A ambição desmedida
Wesley Félix, por sua vez, pontua a dificuldade dos colegas na condução da carreira e a desunião da classe como outros dificultadores na área. “Muitos profissionais falham em gerir sua carreira, limitando seu trabalho em preencher suas agendas de atendimento. Dessa forma, sua vida profissional vira um desafio entre cobrir todas suas obrigações e buscar uma estabilidade financeira. Além de outros desafios comuns em diversas áreas de atuação, como a desunião da classe”.
Isso não impede, no entanto, o empresário de indicar a fisioterapia esportiva àqueles que ainda estão em busca de uma área profissional. “Há mais de uma década vivencio a fisioterapia esportiva. Graças a Deus, além de aprendizado e reconhecimento, sou retribuído diariamente com boas amizades, momentos emocionantes, gratidão e sustento financeiro para minha família. Recomendo e me disponibilizo a ajudar aqueles que se interessarem por esse abençoado caminho”.
* Reportagem do jornalista Victor Eduardo para o portal DeFato Online.

