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Operação Rejeito: Preso pela PF, homem da mala trabalhou no gabinete de Rodrigo Pacheco

Preso na operação Rejeito trabalhou no gabinete do senador Rodrigo Pacheco- Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Apontado como o ‘homem da mala de dinheiro’ do esquema da  Operação Rejeito, Felipe Lombardi Martins, preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), foi assessor de gabinete do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de 2019 a 2021.

Lombardi aparece em mensagens e documentos entre junho de 2024 a janeiro de 2025 como responsável pelo transporte de propinas e movimentação de recursos do esquema no segmento da mineração que fraudava licenças ambientais em Minas Gerais.

Embora não seja investigado na Operação Rejeito, o senador mineiro já manteve relação política com o ex-deputado estadual João Alberto Lages (MDB), preso, acusado de articular o esquema e vazar informações sobre as operações policiais, segundo a PF.

Lages fez campanha a deputado estadual em 2014 em dobradinha com Pacheco, então candidato a deputado federal, que doou à campanha de Lages a quantia de R$ 67 mil, o maior doador declarado.

Segundo a investigação, o grupo criminoso contava com servidores públicos que manipulavam processos de licenciamento e alteravam pareceres técnicos e, simultaneamente, criavam empresas de fachada, simulavam contratos e se utilizavam de ‘laranjas’ para movimentar recursos ilícitos.

Foram feitas 22 prisões preventivas, 79 buscas e o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em bens, por determinação da Justiça.

Para a Polícia Federal, Felipe Lombardi é o responsável por gerir planilhas de aportes, buscar contas de terceiros para depósitos e entregar dinheiro em espécie a servidores envolvidos. Em uma das transações rastreadas, foi detectado que Lombardi teria repassado R$ 300 mil a um escritório de advocacia em novembro de 2024, como parte de uma propina total de R$ 3 milhões.

O senador Rodrigo Pacheco é o candidato preferido do Palácio do Planalto na disputa ao governo de Minas para 2026 e tem feito aparições públicas constantes ao lado do presidente Lula em eventos em Minas Gerais.

Pacheco enviou nota à redação do Repórter Brasil onde esclarece que conheceu João Alberto Lages em 2014, em razão de militância político-partidária.

“Desenvolvemos uma amizade nesse período, quando ele também se tornou deputado.. Conheci o Felipe Lombardi na mesma época, por meio da sua relação com o ex-deputado e, por um período, ele trabalhou na minha equipe do Senado, até se desligar para se dedicar à atividade privada, cuja natureza não tive conhecimento”.

A defesa de João Lages informou que vai se manifestar apenas nos autos do processo. “Em respeito ao Poder Judiciário e ao Ministério Público Federal”, conforme mensagem enviada por Whatsapp.

A reportagem tentou localizar a defesa de Lombardi, mas ele ainda não tem advogado constituído para representá-lo na ação no Tribunal Regional Federal da Sexta Região (TRF-6).

A Operação Rejeito também prendeu nomes de destaque no esquema, entre eles, o diretor da ANM (Agência Nacional de Mineração), Caio Mário Seabra Filho e o ex-superintendente da PF em Minas, Rodrigo Teixeira, que chegou a ser diretor de Polícia Administrativa da corporação em Brasília, o número dois da instituição.

Ambos foram indicados para cargos no governo federal pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), que em entrevista concedida nesta segunda-feira (22) em Belo Horizonte, em evento voltado à mineração, disse ter ficado surpreso com as prisões e defendeu “punição exemplar” aos envolvidos.

“Ficamos todos surpresos. É importante ressaltar que os dois nomeados no governo federal foram afastados. O primeiro, um delegado com 25 anos de serviço, apresentava um histórico profissional impecável, tendo inclusive atuado na superintendência da PF e cumprido os trâmites legais da governança da instituição em que servia. O segundo, em atuação desde 2020 na ANM, era um técnico com reconhecida qualificação e havia sido indicado para diretor. O afastamento de ambos demonstra a prioridade das instituições sobre as pessoas, visando garantir que a Justiça cumpra sua função”.

Apontado como chefe do esquema pela PF, o empresário Alan Cavalcante do Nascimento comprou imóveis vizinhos a duas juízas que analisavam seus processos, segundo o que mostrou a Repórter Brasil.

Os investigadores classificam o ato como uma tentativa de intimidação às magistradas.

Outro detido na operação foi Gilberto Horta. Em 2024, ele disputou a presidência do CREA-MG com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

Na sexta-feira (20), a Justiça Federal determinou a transferência de três dos chefes do grupo para o Presídio Federal de Campo Grande (MS), em razão da periculosidade atribuída ao caso e o risco de obstrução do processo.

segundo a PF, é a primeira vez que responsáveis por crimes ambientais são enviados a um presídio federal de segurança máxima.

*Fonte: Repórter Brasil

 

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