Corina Yoris, candidata à Presidência da Venezuela, nao conseguiu realizar seu registro para concorrer às eleições de 28 de julho. O prazo se encerrou nesta terça-feira (26), à 1 hora da manhã (horário de Brasília). A informação foi dada por Omar Barboza, representante da coalizão de oposição, em vídeo publicado na plataforma X.
Já na segunda-feira (25), Yoris informava não ter acesso ao sistema do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) e, por isso, se via impossibilitada de registrar. No vídeo, Barboza relata diversas tentativas durante todo o dia e comentou a “violação” dos direitos daqueles que querem “votar pela mudança” e exigiu a reabertura do registro.
O ditador Nicolás Maduro realizou seu registro na tarde da segunda-feira (25). Maduro já havia anunciado sua candidatura em 16 de março. Ele ocupa o poder desde 2013 e esse é o seu terceiro mandato consecutivo. Caso vença, Maduro fica no poder até 2030.
“Se não me deixam participar e Maduro impõe um candidato, há votação, não eleição. Eles estão tirando o direito de escolha. Estão dizendo: Vote nisso. É um ato mecânico. O que procuramos não é votar, mas sim, escolher”, desabafa Yoriz no seu perfil no X.
Yoriz foi indicada pela oposição depois que María Corina Machado, ex-deputada da Venezuela e principal adversária do presidente Nicolás Maduro, foi impedida de concorrer ao pleito. Corina está impedida de disputar cargos pelos próximos 15 aos, segundo decisão da Justiça venezuelana.
Para o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela, alinhado ao chavismo, ela teria participado de uma “trama de corrupção”. Corina Yoris-Villasana, tem 80 anos e é licenciada em filosofia e letras, doutoroa em história e professora da Ucab (Universidade Católica Andrés Bello), e foi indicada recentemente para a Academia Venezuelana da Língua.
Os governos da Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai, em nota conjunta, afirmaram que o problema com a inscrição dos opositores é preocupante e pediram que a Venezuela reconsidere o prazo para registro. “Essa situação, juntamente com as anteiores desqualificações, acrescenta questões sobre a integridade e transparência do processo eleitoral como um todo”.
Maduro (61 anos), comanda um regime autocrático e sem garantia de liberdades fundamentais, mantendo pessoas presas pleo que considera “crimes políticos”. Há também restrições descritas em relatórios da OEA sobre a nomeação ilegítima do Conselho Nacional Eleitoral por uma Assembleia Nacional ilegítima e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, de outubro de 2022, de novembro de 2022 e de março de 2023.

