As ordens para execução do crime contra uma agência bancária de Itabira, ocorrido em dezembro do ano passado, partiram de dentro de uma prisão na região de Belo Horizonte. Na época, os autores sequestraram a família da gerente de uma instituição financeira e obrigaram que ela retirasse valores do cofre, modalidade conhecida como “crime do sapatinho”. A ação foi frustrada, nenhum dinheiro foi levado e os parentes da vítima foram libertados na BR-381.
Detalhes da investigação foram informados nesta tarde de terça-feira (23) pela Polícia Civil de Itabira. Em entrevista coletiva, o delegado regional Helton Cota e a delegada Amanda Machado, responsável pelas apurações, falaram sobre a sequência de fatos e como chegaram aos seis acusados de envolvimento no crime. Um deles, identificado como Guilherme Henrique Starling Domingos, foi morto ainda no ano passado, em Vespasiano. Outros cinco estão presos e um adolescente foi apreendido.
Segundo o delegado regional, um dos mandantes do crime é um homem considerado líder de um grupo criminoso de Itabira, que divide cela com o segundo acusado de coordenar a ação. Helton Cota não informou o nome da unidade prisional, mas DeFato Online apurou que as ordens partiram da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A intenção, segundo o chefe da Polícia Civil, seria usar o dinheiro para financiar uma organização criminosa.
“De dentro do presídio partiram as ordens. Eles conhecem pessoas em Itabira, porque um deles é da cidade”, comentou o delegado Helton Cota. “Um desses agentes lidera uma organização criminosa de Itabira e foi quem teria dado, em tese, acesso territorial para que os outros agentes praticassem o crime em nosso município”, completou Amanda Machado.
“Organização criminosa de relevância nacional”
A delegada Amanda Machado afirmou que foram encontrados bilhetes e números de telefones com os dois acusados de serem os mandantes do crime. De acordo com ela, o segundo envolvido, que divide cela com o itabirano, “pertence a uma organização criminosa de relevância nacional”. A policial ainda comentou que o suposto autor, ao ser avisado do mandado expedido contra ele, teria tentado corromper um policial penal, tentando obter um aparelho celular. “Ele foi preso em flagrante delito por corrupção ativa”, citou.
Amanda Machado também afirmou que o crime se desenvolveu a partir de três núcleos criminosos: os mandantes, os executores diretos e o da retaguarda em Itabira, que forneceu ajudas como esconderijos, um veículo e um sítio que foi invadido. Foram executados mandados de prisão temporária e prisão preventiva e busca apreensão. Uma empresa na cidade também foi alvo de buscas pelos policiais.
DeFato Online apurou que a investigação ganhou fôlego porque um dos envolvidos, que foi morto em Vespasiano em dezembro, usava tornozeleira eletrônica no dia do crime. A Justiça já havia expedido um mandado de prisão contra o envolvido quando ele foi assassinado, mas as apurações já estavam em curso e chegaram aos outros suspeitos.
Segundo a Polícia Civil, as operações ainda prosseguem. A intenção é apurar se houve participação de outras pessoas, sobretudo na retaguarda em Itabira. Todos os suspeitos serão indiciados por extorsão mediante sequestro e se condenados pela Justiça poderão pegar uma pena de 8 a 15 anos de reclusão.

