A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, na tarde desta quarta-feira (10), uma coletiva de imprensa para esclarecer os desdobramentos da prisão do suposto líder religioso de 47 anos, que se autodenominava incorporador da entidade “Sete Punhal”. Ele foi detido no bairro São Pedro, em Itabira, suspeito de abusos sexuais contra mulheres durante rituais religiosos.
O delegado João Martins Teixeira, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), afirmou que a investigação foi instaurada há cerca de um mês, após denúncia de uma vítima. “Uma das mulheres nos procurou e relatou práticas ocorridas nesse centro religioso, indicando supostas violências sexuais. A partir daí, fomos puxando esse novelo e descobrimos outras vítimas. Os relatos eram muito semelhantes, inclusive confirmados por testemunhas”, disse.
Segundo o delegado, até o momento foram identificadas 12 vítimas, com idades entre 24 e 42 anos. O relato mais antigo remonta a três anos. Durante cumprimento de mandado de busca e apreensão, a polícia apreendeu dois celulares do investigado, que serão submetidos à perícia. “Podem surgir registros de imagens ou conversas que reforcem a investigação. Também seguimos ouvindo testemunhas e vítimas. A previsão é encerrar o inquérito na próxima semana e encaminhá-lo ao Ministério Público e ao Judiciário”, explicou.
Como o suspeito foi preso preventivamente, a Polícia Civil tem o prazo legal de dez dias, a contar da data da prisão, para concluir o inquérito. Após a finalização, os autos serão encaminhados ao Ministério Público, que avaliará se há elementos suficientes para oferecer denúncia e dar início ao processo penal. Caso o MP entenda que existe justa causa, será proposta a ação penal junto ao Poder Judiciário.
“Muitas vítimas relataram abalo emocional”, diz delegado
João Martins reforçou a importância de que outras possíveis vítimas procurem a delegacia ou utilizem os canais de denúncia disponíveis, como o “Chame a Frida”, o Disque 100 ou o 181. “É fundamental que novas mulheres se sintam encorajadas a relatar. Quanto mais uniformes forem os relatos, mais consistente será a investigação”, afirmou.
Defesa do investigado
Em nota enviada à reportagem, a defesa do médium negou as acusações, alegando que os rituais citados “fazem parte do cerimonial tradicional da religião professada por ele, sem conotação sexual ou intenção de causar constrangimento”. O texto reforça ainda a presunção de inocência, afirma que o investigado é praticante de fé de matriz afro-brasileira e sustenta que “nenhuma relação íntima foi mantida sob coerção, ameaça espiritual ou indução”.

