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Padre é denunciado por abusos contra crianças há mais de 20 anos

Padre é denunciado por abusos contra crianças há mais de 20 anos

Foto: Charles Tôrres / Divulgação

Na quinta-feira (24) passada, depois de forte repercussão pública do caso, a Arquidiocese de Belo Horizonte afastou o padre Bernardino Batista dos Santos após denúncias de abusos sexuais contra crianças. Os casos teriam acontecido há 22 anos, enquanto ele era pároco da Igreja de Santa Luzia, no bairro Paraíso, em Belo Horizonte. Atualmente, aos 73 anos, ele seguia o sacerdócio celebrando missas na Paróquia Cristo Rei, em Contagem.

A Polícia Civil informou que recebeu denúncias e que as investigações correm sob sigilo. Na época, pelo menos três das vítimas tinham cerca de 8 anos de idade. Uma das vítimas deu uma entrevista ao site G1. A advogada Carolina Rocha Freitas, hoje com 30 anos, contou que foi abusada no sítio do padre, na cidade de Tiros, no interior do estado.

“No dia que aconteceu, minha mãe acordou cedo e saiu do sítio para resolver algo. Acordei com ele passando a mão no meu corpo, eu lembro do cheiro daquilo, sai correndo e me escondi. Quando minha mãe chegou eu contei, chorei desesperada”, relembrou Carolina.

A advogada conta que sua mãe chegou a questionar o padre, que negou as acusações. Além disso, algumas pessoas a desencorajaram a prosseguir com a denúncia. “Fomos caladas e desencorajadas por muito tempo, eu não estou sozinha. Aí eu consegui ter coragem para falar e motivar outras vítimas que elas procurem a via judicial, para que a gente consiga fazer ele pagar. Espero que ele passe o resto da vida dele na cadeia. Ele é perverso”, disse Carolina.

Em nota, a Arquidiocese disse ao que, “por norma canônica de cautela, e enquanto ocorrem as apurações, o padre deixa de exercer seu ofício pastoral, até que sejam concluídos os trabalhos da Comissão Arquidiocesana para a proteção de Crianças, Adolescentes e Vulneráveis e das instâncias competentes no caso”.

Falou também que, diante da denúncia, a mesma comissão “imediatamente iniciou trabalho que busca ouvir as autoras desses relatos, um processo de apuração interno que deve caminhar paralelamente, e em colaboração, com o trabalho de instâncias judiciais”.

Segundo a Arquidiocese, esses trabalhos ocorrem em sigilo. “Esse episódio me marca até hoje, tenho depressão diagnosticada, tomo antidepressivos, crise de pânico, minha vida sexual foi muito complicada a ser desenvolvida em relação disso. Eu era muito ativa na igreja, hoje não consigo ir mais à missa, ainda é muito difícil de conviver com isso”, lamentou a Carolina

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