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Pandemia impede Festa de São João na Ponte dos Machados após 78 anos

Pandemia impede realização da Festa de São João Batista na Ponte dos Machados 

Foto: Sônia Oliveira

Nesta quarta-feira, 24 de junho, comemora-se o Dia de São João Batista, data atribuída ao nascimento de João Batista, conhecido como o “Santo Festeiro”. Tradicionalmente, o dia é celebrado com festas, fogueiras, pratos típicos e muitas brincadeiras. No entanto, com a pandemia de Covid-19, muitas festividades foram canceladas. Na comunidade de Ponte dos Machados, em Bom Jesus do Amparo, as comemorações para o padroeiro não aconteceram pela primeira vez em 78 anos de história.

De acordo com Sônia Oliveira, integrante da comunidade e neta de Joãozinho,  o sentimento é de tristeza por não ter acontecido a festa. “A maior parte das famílias, assim como a minha, está com bastante pesar de não ter celebrado a noite de São João como fazem há mais de 70 anos: com muitas orações, festa, foguete e comidas típicas. Porém, a fé e a devoção permanecem em nossos corações e cada família celebrou em casa, à sua maneira, este dia tão especial para nós”, conta a devota.

Patrimônio

A Festa de São João Batista da Ponte dos Machados é realizada todo ano na véspera do dia do santo, 23 de junho. O legado da festa começou no ano de 1942, quando João Alves Fonseca, conhecido na região como Joãozinho, fez uma promessa de festejar São João, seu santo protetor, todo dia 23 de junho. A novena do santo era realizada em sua própria casa e o estandarte hasteado ao lado da fogueira, que na época não passava de 10 metros. A comemoração não arrecadava lucros e reunia todos os anos cerca de 200 pessoas que comiam e bebiam à vontade.

Joãozinho faleceu no dia 10 de junho de 1970, faltando apenas 13 dias para a realização da festa, que não aconteceu naquele ano. São João voltou a ser celebrado em Ponte dos Machados quatro anos depois, em um depósito da Avelândia. A viúva de Joãozinho, Olindina Maria de Jesus, a Dona Dina, manteve a tradição. “Ele disse que não precisava continuar a festa, já que era uma promessa dele, mas meus parentes resolveram continuar”, disse orgulhosa.

Igreja

Em 1975, uma cunhada de Joãozinho, Maria Olinta Dias, doou um terreno para a construção de uma igreja, já que a comunidade não tinha uma. Na época, havia dúvidas de qual seria o santo padroeiro. Dona Dina queria que fosse São João Batista, pois esta era a grande vontade de Joãozinho. Depois de não chegarem a um consenso, resolveram então fazer um sorteio para que fosse definido. Para surpresa de todos e alegria de Dona Dina, o santo sorteado foi São João Batista. Desde então, a festa passou a ser realizada neste local, antes mesmo da construção da igreja, que foi sendo construída com sua renda.

Hoje, a realização deste evento depende da colaboração de toda a comunidade, mesmo que alguns não tenham conhecido Joãozinho, continuam preservando a tradição e tornando a festa cada vez mais popular, assim como você, que com sua presença pode torná-la cada vez melhor. Atualmente a organização da festividade fica a cargo da comunidade que desejar auxiliar e de cinco famílias da região, que são escolhidas e destinadas a conduzir a festa, desde a conquista de patrocínio até a sua execução.

A fogueira

Um atrativo da festa é a passagem nas brasas, quando os fiéis, à meia-noite, caminham sobre a fogueira sem queimar os pés. A fogueira, famosa pela imponência e tamanho, terá neste ano em torno de 29 m de altura. Ao contrário do que muitos imaginam, a fogueira construída pelos moradores de Ponte dos Machados não aumenta de tamanho a cada ano. A variação ocorre porque sua altura é definida a partir do maior eucalipto encontrado pelos organizadores.A festa conta sempre com a colaboração de toda comunidade de São João Batista e vizinhança, além de empresas que abraçam a causa. Veja fotos:

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