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“Para se manter aberto não pode negligenciar as medidas de enfrentamento ao vírus”, diz Cidinha Lana

"Para se manter aberto não pode negligenciar as medidas de enfrentamento ao vírus", diz Cidinha Lana

Foto: Thamires Lopes/DeFato

Depois de quase dois meses fechado devido a escalada da pandemia de Covid-19, o comércio não essencial voltou a reabrir as portas no domingo (25), quando passou a valer o decreto municipal que colocou a cidade na onda vermelha do programa Minas Consciente, do Governo de Minas Gerais. Esse período de suspensão das atividades foi marcado pela reivindicação da classe pela retomada das prática comercial. Para a empresária Maria Aparecida Albuquerque Bueno, a Cidinha Lana, então presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agropecuária de Itabira (Acita) — mas que se despede do cargo nesta semana — analisa que a medida trouxe dificuldades para o setor, mas que pode ser um período de oportunidades.

Em entrevista para a reportagem da DeFato, Cidinha Lana afirma que empresas dos mais diversos segmentos tiveram queda em seu faturamento, o que pode implicar em demissões, e que precisaram conviver com a inadimplência. Por outro lado, destaca que alguns empreendimentos conseguiram ter sucesso na adaptação nas vendas on-line e por delivery. A empresária, ainda, defende medidas de socorro à classe — como a concessão de benefícios fiscais — e ressalta a importância de seguir os protocolos sanitários de enfrentamento à Covid-19 para que o comércio não volte a baixar as portas.

Confira a seguir a entrevista com Cidinha Lana:

DeFato: Qual a sua opinião sobre o fechamento do comércio como medida de enfrentamento à disseminação da Covid-19?

Cidinha Lana: Fechamento do comércio é uma das ações que podem reduzir a circulação de pessoas no mesmo ambiente. Sabe-se que o vilão da transmissão está nas aglomerações e em ambientes onde circulam grande número de pessoas que compartilham uma mesma área de contato, no qual podemos citar transportes coletivos, como ônibus e metrôs; entretenimento em massa, como shows; alimentação em grupos; e consumo em lojas físicas em geral.

Portanto, a limitação de oferta reflete em uma consequente queda da demanda, o que favorece a redução de circulação das pessoas como forma de disseminação do vírus Covid-19.

DeFato: Qual o impacto do fechamento do comércio durante a pandemia para os empresários de Itabira?

Cidinha Lana: Ainda não foi possível mensurar o impacto do fechamento do comércio durante a pandemia. Mas, sabe-se que houve significativa queda de faturamento na maioria dos segmentos, aumento da inadimplência, demissões, comprometimento da capacidade de pagamento de dívidas, migração do consumo presencial para o consumo on-line, entre outros.

Entretanto, em meio à tantas perdas assistimos de perto alguns segmentos prosperando como nunca através do delivery e vendas on-line.

DeFato: Como esse fechamento do comércio pode impactar a economia da cidade?

Cidinha Lana: 2020 jamais será esquecido porque foi o ano que derrubou a economia global e é lógico que não ficamos imunes a isso. Restrições foram impostas, houve queda da renda familiar, adiamento de projetos e investimentos profissionais e pessoais, e isto reflete em nossa economia local.

Podemos perceber que houve mudança de comportamento dos empreendedores, que tiveram que se reinventar para manter-se sustentáveis. Novas ferramentas foram utilizadas, como as vendas on-line, uso do WhatsApp, exploração das redes sociais de forma geral e intensificação do delivery.

DeFato: O que fazer para minimizar esses impactos do fechamento do comércio?

Cidinha Lana: Diálogo em primeiro lugar, precisamos estar alinhados com o poder público para definição de planos estratégicos de retomada da economia e com a ciência para que isto seja feito de uma forma segura, pois queremos e precisamos preservar empresas e vidas.

Segundo, é necessário criatividade e coragem para reinventar o negócio. Com a pandemia e todas suas imposições, nós, como consumidores mudamos nossas preferências e hábitos de consumo também, isso é fato. Cabe à cada empresa, estudar e identificar como seus clientes estão se comportando e consumindo atualmente. Focando em personalização do atendimento.

Também é preciso garantir que recursos e benefícios fiscais realmente cheguem aos empreendedores, caso contrário, a falta de caixa acumulada desde o primeiro lockdown, fechará empresas, mesmo que tenham tomado todas as ações possíveis para se manterem competitivas no mercado.

Por último, mas não menos importante, é preciso que empresários se unam e compartilhem as suas dores, as boas práticas em seus setores e construam juntos soluções coletivas e sustentáveis para o comércio em geral. Por isso a importância da participação em entidades de classe que propiciem este diálogo e defenda os interesses.

DeFato: Como conciliar o funcionamento do comércio e das empresas com as medidas de enfrentamento à Covid-19?

Cidinha Lana: O cenário atual é de incertezas, precisamos buscar o equilíbrio entre o funcionamento das empresas com preservação da saúde dos clientes internos (funcionários) e externos (consumidores).

Seguindo as orientações do protocolo das autoridades de saúde, usando as medidas de segurança como a higienização das mãos, ambientes e todos objetos de contato compartilhado, o uso obrigatório de máscaras e medidas que sejam eficientes no estabelecimento do distanciamento social.

É preciso ter consciência de que para se manter aberto não poderá ser negligente com as medidas de enfrentamento ao vírus. É um dever de todos, é responsabilidade social.

DeFato: Diante desse quadro de pandemia, que ainda deve durar, qual a expectativa dos comerciantes e empresários quanto as suas atividades? De melhora?

Cidinha Lana: Eu vejo de forma positiva, tenho expectativa de melhora. O comércio foi obrigado de uma forma nada fácil a repensar seu modelo de negócio de forma local e global. É urgente e extremamente necessário que o empresário esteja capacitado para este novo normal, ele precisa estar com uma cultura digital bem estabelecida. Nada será como antes. Já vimos surgir em nossa cidade o conceito de store in store, ou seja, loja dentro de outra loja, que é um conceito interessante porque há uma diminuição de despesa e um se beneficia do fluxo do outro.

Esse novo normal é a nossa realidade, onde o físico conecta com o digital, portando a adaptação é uma necessidade para se manter sustentável no cenário atual e pós-pandemia. Com pandemia ou sem pandemia, as relações comerciais jamais serão como antes.

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