A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, eleita a maior do mundo pelo Guinness Book, chega à 30ª edição neste domingo (7), na Avenida Paulista, em meio a desafios. Além da redução de patrocínios privados, o evento ocorre sob pressão de um projeto aprovado em primeira votação na Câmara Municipal que tenta restringir a presença de crianças e adolescentes em eventos ligados à pauta LGBT. A proposta também prevê impedir a ocupação e interdição de vias públicas para eventos que, segundo o texto, façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+.
A Parada de São Paulo começou em 1996, na Praça Roosevelt, e passou a ocupar a Avenida Paulista no ano seguinte. Desde então, consolidou-se como uma das maiores manifestações de diversidade do mundo, reunindo pautas como união estável, identidade de gênero, adoção por casais homoafetivos e criminalização da LGBTfobia.
A edição deste ano também enfrenta desafio financeiro, segundo a organização, perdendo cerca de 60% dos patrocínios. Um levantamento realizado pelo G1 com contratos comerciais do evento mostra que o número de marcas parceiras caiu nos últimos anos, passando de 16 em 2023 para 9 em 2026.
A redução contrasta com o impacto econômico da Parada. Em 2025, o circuito movimentou R$548,5 milhões na economia da capital paulista, segundo dados da Associação Comercial de São Paulo citados pelo G1. Ainda assim, a organização afirma que a falta de contratos de longo prazo e a leitura das marcas sobre riscos políticos e comerciais dificultaram a captação.
Entre os fatores apontados para a retração estão o avanço de discursos contrários a agendas de diversidade, o receio de boicotes, a concentração de verbas de marketing em Copa do Mundo e eleições e a resistência de empresas ao tema escolhido para 2026, “A rua convoca, a urna confirma”.
O mote deste ano reforça a dimensão política do evento e defende a participação nas eleições. Para a organização, a escolha busca lembrar que direitos da população LGBT também dependem das decisões tomadas nas casas legislativas.
A queda de patrocínios não afeta apenas os trios elétricos da Avenida Paulista. Segundo os organizadores, a redução de verba também pesa sobre ações paralelas, como a Feira Cultural da Diversidade e projetos sociais e culturais mantidos ao longo do período da Parada.

