Um homem foi retirado à força de um ônibus por passageiros após proferir ofensas racistas contra a motorista do coletivo, no último sábado (27), na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O caso aconteceu durante uma viagem da linha 754, que faz o trajeto entre Santa Cruz e o Terminal Deodoro.
Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento em que o passageiro direciona insultos contra a motorista Thayane Martins, de 33 anos. Segundo relatos, ele utilizou termos relacionados à cor da pele e afirmou que a profissional teria conseguido o emprego por meio de cotas raciais.
A situação causou revolta entre os demais passageiros, que intervieram e retiraram o homem do veículo. Nas imagens, pessoas presentes no ônibus condenam as falas e afirmam que as declarações configuravam racismo.
Segundo Thayane, a discussão começou após ela pedir que o passageiro passasse pela roleta. A motorista contou que o homem aparentava estar desorientado e quase caiu dentro do ônibus antes de iniciar os ataques.
A profissional afirmou que continuou sendo alvo das ofensas mesmo após começar a registrar a situação pelo celular. De acordo com ela, o passageiro questionou sua capacidade profissional e associou seu trabalho às políticas de cotas raciais.
A motorista relatou ainda que já enfrentou outros episódios de racismo desde que começou a atuar como condutora, há cerca de cinco anos, mas que anteriormente não conseguiu formalizar as denúncias.
Investigação
O caso foi registrado na 59ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro como injúria por preconceito. A Polícia Civil informou que a tipificação do crime pode ser alterada durante o andamento das investigações, que buscam identificar oficialmente o autor das ofensas.
Após o episódio, Thayane publicou um desabafo nas redes sociais. “Racismo não é brincadeira, não é opinião e não é frescura. Racismo é crime. Ninguém tem o direito de me diminuir por causa da cor da minha pele”, escreveu.
O sindicato Rio Ônibus repudiou o ocorrido e informou que ofereceu assistência à motorista, além de acompanhar o caso por meio do departamento jurídico.
A empresa responsável pela operação da linha ainda não havia se manifestado sobre a ocorrência até a última atualização.

