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PCMG deflagra Operação Leviatã II com foco em organizações que atuam com tráfico e lavagem de dinheiro

Foto: Divulgação PCMG

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), por meio do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc), deflagrou na manhã de quinta-feira (25) a Operação Leviatã II, com o objetivo de desarticular duas organizações criminosas interligadas que operam no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro.

A ofensiva policial ocorreu em Belo Horizonte e na região metropolitana (Contagem, Betim e Santa Luzia), onde foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 50 milhões em bens e valores vinculados aos investigados.
No curso da operação, três pessoas foram presas — duas por tráfico de drogas e uma por porte ilegal de arma de fogo — e diversos objetos foram apreendidos para embasar o prosseguimento das investigações.
Como se desenrolou a investigação até a deflagração da operação

Primeira fase e coleta inicial de indícios

A Operação Leviatã II é uma continuidade de um trabalho investigativo iniciado em junho de 2025, quando foi deflagrada a primeira fase da operação Leviatã. Naquela ocasião, já haviam sido cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em áreas como o Aglomerado da Serra e o Morro das Pedras, abrangendo Belo Horizonte e Contagem.
Na etapa inicial, as autoridades conseguiram apreender eletrônicos, anotações, e outros meios de prova que ajudaram a compor os primeiros elos entre integrantes e estruturas criminosas.
Esses elementos foram examinados por peritos e por investigadores do Denarc, que passaram a mapear relações financeiras, transações suspeitas e padrões operacionais das facções investigadas.

Identificação de duas organizações com perfis distintos e relações entre elas

Durante as apurações, os investigadores identificaram que não se tratava apenas de uma única estrutura criminosa, mas de duas organizações que operavam de modo articulado:

Organização A: voltada ao tráfico em larga escala, com atuação territorial violenta, disputa de áreas para venda de drogas e uso de força armada para manutenção dos pontos de venda.

Organização B: especializada nas chamadas “drogas gourmet” (entorpecentes de qualidade superior, possivelmente com maior poder de efeito), além de operar sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro para ocultar, distribuir e reinserir os valores ilícitos no sistema formal.
As investigações revelaram que os grupos mantinham movimentações financeiras entre si — por meio de transferências bancárias ou repasses identificados — além de compartilhamento de recursos como armas, drogas ou logística.

Com a acumulação de provas e indícios suficientes, a equipe do Denarc solicitou ao Poder Judiciário autorização para o bloqueio patrimonial e para cumprimento de mandados de busca e apreensão nas respectivas áreas de atuação.

Pedido de bloqueio judicial e planejamento da deflagração

Com base nas provas acumuladas (relatórios financeiros, rastreamento bancário, diligências anteriores, perícias sobre dispositivos eletrônicos apreendidos), os agentes promoveram o pedido de bloqueio judicial de aproximadamente R$ 50 milhões em bens e valores vinculados às organizações. A medida visa descapitalizar os grupos criminosos e dificultar que continuem financiando operações.

Paralelamente, foi preparado o cumprimento dos 30 mandados de busca e apreensão, distribuídos em vários endereços em Belo Horizonte e municípios da Grande BH (Contagem, Betim, Santa Luzia).
A mobilização envolveu cerca de 200 policiais civis e apoio da Coordenadoria de Operações Estratégicas (COE) para garantir coordenação e segurança nas diligências.

No momento da deflagração, três presos foram capturados — dois por tráfico e um por porte ilegal de arma — e grande quantidade de material apreendido: celulares, notebooks, anotações, drogas (maconha, haxixe, cocaína, skunk) e uma arma de uso restrito.

O que se sabe até agora dos resultados da operação

Prisão de três envolvidos: dois por tráfico e um por porte ilegal de arma de fogo.

Bloqueio de cerca de R$ 50 milhões em ativos, bens e valores determinados judicialmente.
Cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em BH, Contagem, Betim e Santa Luzia.

Diversas apreensões de material probatório tais como aparelhos eletrônicos, documentos, anotações, armas, drogas.

A operação foi conduzida de forma simultânea em múltiplos locais, com coordenação centralizada por Denarc e COE, com o intuito de surpreender os alvos e evitar fuga ou destruição de provas.

O delegado Daniel Augusto Reis, responsável pela ação, ressaltou que a estratégia da PCMG é mirar não somente a base operacional dos grupos, mas sobretudo suas estruturas financeiras, para extirpar a fonte de sustentação dos crimes.

Os próximos passos da investigação

Análise do material apreendido
Os objetos, documentos, celulares, notebooks e anotações recolhidos em busca-arresto serão periciados e investigados para descobrir novas ligações, comunicações entre integrantes, prova de transferências financeiras e identificação de apoiadores.

Rastreamento e aprofundamento financeiro
As autoridades continuarão a seguir o rastro do dinheiro bloqueado, verificando contas bancárias, empresas de fachada, movimentações suspeitas e conexões com entidades legais. O objetivo é identificar quem eram os “laranjas” (intermediários) e desvelar as estruturas ocultas por trás dos grupos criminosos.

Identificação de lideranças e novos envolvidos
Com base nas provas, a investigação deve avançar para descobrir e prender lideranças superiores, gestores de operações e colaboradores que ainda não foram capturados.

Desdobramentos judiciais
Haverá audiências, denúncias formais do Ministério Público, medidas cautelares contra investigados (prisão temporária, preventiva, suspensão de direitos), e a manutenção ou ampliação dos bloqueios patrimoniais.

Novas fases da Operação Leviatã
Dada a complexidade e amplitude das organizações visadas, é provável que novas fases da operação sejam deflagradas, com foco em áreas ainda pouco mapeadas ou que surgirem como relevantes ao longo dos trabalhos. O delegado Reis já indicou esse horizonte.

Monitoramento pós-operação
Após a fase de intervenção, haverá vigilância constante sobre os territórios antes dominados pelos grupos, prevenção de tentativas de retaliação ou reposicionamento de estruturas substitutas, e atuação integrada com outras forças de segurança.

Cooperação com outros estados e esferas federais
Se forem encontradas conexões interestaduais para o tráfico ou lavagem, pode haver articulação com Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Federal, e até cooperação internacional, conforme os casos.

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