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Pela primeira vez, Itabira realiza roda de conversa para envolver homens no combate à violência contra a mulher; confira

Pela primeira vez, Itabira realiza roda de conversa para envolver homens no combate à violência contra a mulher; confira

Foto: Giovanna Victoria/DeFato

A Casa da Cidadania, em Itabira, recebeu, nesta quinta-feira (21), a primeira edição da roda de conversa “De Homem pra Homem”. O evento teve como foco, discutir o papel dos homens no enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa reuniu representantes da rede de proteção e autoridades locais, em um espaço de diálogo voltado à conscientização masculina sobre a responsabilidade na prevenção da violência de gênero.

Lia Andrade, gestora da Casa da Cidadania, ressaltou a importância de incluir os homens no debate. “Vocês, enquanto homens, precisam disseminar essas informações. É um cuidando do outro, para que possamos também ser cuidadas. Quando vocês se posicionam dizendo ‘isso não é legal, não vamos fazer isso’, estão nos protegendo também, mulheres”, destacou.

“Mudança comportamental é o maior desafio”, diz delegado Diogo Luna

O delegado regional da Polícia Civil, Diogo Luna, foi um dos participantes do diálogo e reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mudança cultural e pessoal dos homens.

“Um dos maiores desafios é alcançarmos a mudança comportamental, porque nós fomos educados para sermos machistas. Essas práticas estão tão enraizadas que, muitas vezes, se não houver reflexão, acabamos perpetuando violências sem perceber. É um aprendizado diário, uma militância constante contra atitudes e falas que reforçam desigualdades”, disse.

Luna citou casos vivenciados na carreira, como o de um idoso que agredia a esposa semanalmente, mesmo declarando amor por ela. “Para ele, a mulher era vista como propriedade. Isso mostra como é preciso transformar nossa cultura e educar desde cedo para romper esse ciclo de violência”, completou.

O delegado também destacou a relevância de iniciativas já implementadas em Itabira, como os grupos reflexivos voltados a homens agressores, criados antes mesmo de alterações na Lei Maria da Penha. “A responsabilização é essencial, mas também precisamos trabalhar educação e cultura para que a violência não aconteça. Projetos como o Itabira por Eles são referência e devem ser fortalecidos”, afirmou.

Foto: Giovanna Victoria/DeFato

Patrulha e Ministério Público reforçam conscientização masculina

O sargento Luigy D’Ângelo, da Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, enfatizou que o trabalho de prevenção também precisa alcançar os homens. “Nós atuamos com as vítimas, mas é fundamental falar com os autores. Nosso papel é incomodar, mostrar que a justiça vai agir e que o comportamento violento terá consequências”, pontuou.

Já o promotor de Justiça Pedro Ribeiro defendeu a continuidade dos debates para além do Agosto Lilás. “A violência doméstica é estrutural e cultural, e não se resolve apenas com leis. É preciso refletir sobre por que ela existe, quais as consequências e como podemos superá-la. Trazer os homens para a discussão é essencial para reduzir os índices e avançar rumo à violência zero”, disse.

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