Agosto é o Mês Vocacional e este ano traz como tema: “Peregrinos porque chamados” que nos mostra duas características dos cristãos: peregrinos e chamados. Vamos agradecer e valorizar a vida daqueles que responderam ao chamado de Deus. Como Povo de Deus, presente nas várias Paróquias e Comunidades, podemos expressar nossa gratidão às pessoas que dedicam suas vidas ao serviço do Reino, sejam elas, padres, diáconos, religiosos, leigos ou casais. Com essa iniciativa, a Igreja Católica reforça a importância das vocações como caminho de realização pessoal e de contribuição para o bem comum.
Quero destacar a VOCAÇÃO FAMÍLIAR e enfatizar a sua importância na vida da Igreja, que neste mês, nos convida a refletir na Semana Nacional da Família com o tema: “Família, Peregrina de Esperança”. É na família que o ser humano recebe as primeiras e determinantes noções sobre o que é bom, justo e verdadeiro. É na família que aprendemos a respeitar e a ser respeitado, a amar e ser amado. É na família que alguém se constitui como pessoa e aprende a conviver em sociedade. Não tenho dúvidas que a família tece o ser de cada um de seus membros.
Padre Zezinho canta uma belíssima canção, que acredito que todos conhecem: “Que nenhuma família comece em qualquer de repente”! Para que a família não comece num ‘qualquer de repente’ é preciso falar de vocação à vida familiar. A maior inspiração vocacional para a família é um casal que se ama segundo o coração de Deus. Ver o desabrochar da vocação familiar em seu próprio lar certamente desperta o desejo da vida matrimonial, o desejo de ter sua família em Deus. Vejo que as famílias precisam, com urgência, aproximar-se mais da Igreja e, consequentemente, de Deus.
O Catecismo da Igreja Católica diz: “Sem famílias fortes na comunhão e estáveis no compromisso, os povos se enfraquecem.” Na família são incorporados, desde os primeiros anos de vida, os valores morais, espirituais, religiosos e culturais de cada povo. Nela se dá a aprendizagem das responsabilidades sociais e da solidariedade.
A família constitui uma comunidade de amor e solidariedade insubstituível para o ensino e a transmissão dos valores culturais, sociais, espirituais, religiosos e éticos de promoção e respeito à vida, essenciais para o desenvolvimento e bem-estar de seus próprios membros e da sociedade como todo. Para garantir a condição de ser Santuário da Vida, a família deve ser protagonista da vida social, ou seja, deve assumir um papel ativo na sociedade e não se acomodar passivamente diante das políticas públicas que lhe dizem respeito (cf. São João Paulo II, Familiaris Consortio, n.44).
Tendo em vista proteger seus direitos, para promover o bem, respeitar a vida e representar seus interesses, as famílias devem se associar e se organizar, participando da Pastoral Familiar ou outro movimento. Assim devem agir a fim de garantir uma ação política e legislativa que salvaguarde os valores da família, tais como a estabilidade do matrimônio, a promoção da intimidade e da convivência familiar, o respeito à vida nascente, o direito à moradia e ao trabalho dignos, o direito de educar os próprios filhos e de terem boas escolas. Para garantir esses valores e o bem da família, o cristão deve se empenhar atuando no âmbito social e político. Família unida não será vencida ou destruída!
A família é a “Igreja doméstica”, onde os pais têm a responsabilidade de educar os filhos na fé. Responder à vocação familiar significa criar um ambiente onde os valores cristãos são vividos e transmitidos, garantindo que as futuras gerações compreendam a profundidade e a beleza do amor verdadeiro.
Rezemos pelas famílias para que possam ser sinais de Deus, a exemplo da Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José.
Sobre o colunista
Padre Hideraldo Verissimo Vieira é pároco na Paróquia São João Batista – João XXIII, em Itabira, e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), com especialização em Ensino Religioso pela PUC Minas.

