Violência sexual mediante fraude, importunação sexual e estupro de vulnerável são os crimes que levaram a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) a cumprir o mandado de prisão contra um líder religioso, na manhã de sexta-feira (12). O investigado, de 46 anos, foi preso na residência dele, e os crimes teriam sido cometidos em um templo, onde também foi cumprido mandado de busca e apreensão, na região Noroeste de Belo Horizonte.
A partir da denúncia registrada por uma das vítimas, na última terça-feira (9), a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) iniciou a investigação, identificando, até o momento, oito mulheres que teriam sido abusadas pelo suspeito enquanto menores de idade.
De acordo com o delegado Rodolfo Rabelo, que preside o inquérito policial, o investigado se aproveitava da vulnerabilidade das meninas para cometer os crimes sexuais. “Durante três dias, ouvimos vítimas e frequentadores do centro, e constatamos que o suspeito escolhia as mais vulneráveis para tentar abusar sexualmente delas”, informou. “O homem se valia da condição de líder religioso para causar medo nas vítimas”, complementou.
Ainda, segundo Rabelo, durante a fase de aliciamento, o investigado mandava mensagens para as vítimas, normalmente durante a madrugada, relatando que elas tinham uma energia sexual muito forte e poderosa, e enviava fotos íntimas para elas.
“Uma das vítimas relatou que durante as sessões espirituais o homem passava a mão pelo corpo das meninas. A princípio eram toques nos braços e depois foram evoluindo para as regiões íntimas delas”, destacou o delegado.
O policial completou que foram verificados pontos contraditórios entre as alegações do suspeito e os elementos levantados na investigação. “Durante a oitiva do investigado, ele alegou que menores de 18 anos não podiam frequentar o centro, ao contrário do que foi apurado, já que muitas delas foram vitimadas ainda adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos”, observou.
Na ação policial, a equipe da Depca apreendeu o aparelho celular do suspeito, cinco pendrives, um notebook e diversas anotações com nomes das pessoas que frequentavam o local. A investigação prossegue para completa elucidação dos fatos e identificar eventuais outras vítimas.

