A Polícia Federal (PF) apreendeu US$ 171,8 mil em espécie na residência do Secretário de Planejamento e Gestão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Maurício Fortunato Pinto, um dos cinco diretores afastados do órgão por suspeita de integrar esquema de espionagem ilegal de celulares.
A Abin cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, além dos cinco afastamentos temporários, quando dois servidores foram presos preventivamente. As buscas foram feitas em Goiás, Distrito Federal, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A PF, nas investigações, descobriu que o grupo usava o sistema de geolocalização de celulares de forma ilegal e sem autorização da Justiça. Parte dos investigados tinha ligação com o governo de Jair Bolsonaro (PL) e com o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
Parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem crise de desconfiança com a Abin por causa de pessoas da cúpula do órgão serem ligadas ao ex-presidente Bolsonaro.
Um exemplo do desconforto é a nomeação do próprio Paulo Maurício na cúpula da Abin. Em 2008, no governo Lula, ele já havia sido afastado por envolvimento em escutas ilegais contra políticos e ministros do Supremo, no âmbito da Operação Satiagraha, que investigava desvios de dinheiro público.
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Os dois servidores presos foram Rodrigo Colli, da área da contra inteligência cibernética, e Eduardo Arthur Izycki, oficial de inteligência. Ambos tinham um agravante ao tentar boicotar um processo de sindicância que estavam sofrendo. Para isso, coagiram colegas a anular um processo administrativo que poderia permitir a demissão deles.
O processo em questão era por terem trabalhado para uma empresa, em nome de familiares, em que o conteúdo do contrato teria relação com o trabalho deles na Abin, o que violaria a exclusividade exigida para o cargo.
Em nota, a Abin informou que o software de espionagem investigado pela Polícia Federal deixou de ser utilizado em maio de 2021 e que desde fevereiro deste ano há uma investigação interna sobre irregularidades no uso desse programa. As informações foram compartilhadas com a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a Abin.
Os afastamentos temporários dos servidores determinados pela Justiça foram cumpridos.

