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Polícia Federal pede quebra de sigilo bancário de Janones por indícios de “rachadinha”

Ministro Luiz Fux autoriza a quebra de sigilo bancário e fiscal de Janones

Foto: Gilmar Félix/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal (PF) enviou, nesta terça-feira (30), solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o deputado federal André Janones (Avante-MG) tenha seu sigilo bancário quebrado para dar prosseguimento às investigações sobre um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete.

Peritos da PF analisaram áudios de reuniões de Janones com assessores, quando ele sugere aos aliados a prática de “rachadinha”. “Por exemplo, tem algumas pessoas aqui, que eu ainda vou conversar em particular depois, que vão receber um pouco de salário a mais e elas vão me ajudar a pagar as contas que ficou da minha campanha de prefeito, porque eu perdi R$ 675 mil na campanha. Elas vão ganhar mais para isso”, disse Janones aos servidores do seu gabinete em um dos trechos da gravação.

Segundo a PF, a fala ocorreu em uma reunião entre os dias 6 e 16 de fevereiro de 2019. A polícia lista recebimentos fracionados em nove depósitos em conta de Janones, totalizando R$ 15 mil. Além disso, Janones recebeu de uma ex-secretária parlamentar, Leandra Guedes Ferreira, R$ 7,5 mil entre dezembro de 2022 e novembro de 2023.

Esses recebimentos foram notados pelos peritos federais por meio de análise de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), mas admitem que esses documentos têm natureza limitada, o que exige a quebra total do sigilo Janones e seus assessores.

A PF quer também a quebra dos sigilos bancários dos demais investigados para ter acesso às declarações de impostos de renda ou outras informações relevantes.

O documento com os pareceres produzidos pela PF foi encaminhado ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) — que já havia decidido pela abertura de um inquérito contra André Janones para apurar supostas irregularidades.

A prática da “rachadinha” não é o único esquema em que se supõe envolvimento de Janones. Fabrício Ferreira de Oliveira, ex-assessor do deputado federal, forneceu informações à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o antigo chefe estaria envolvido, também, em esquemas ilícitos relacionados a shows milionários realizados em Ituiutaba, sua cidade natal e reduto eleitoral, com contratações financiadas por emendas parlamentares destinadas pelo próprio Janones, mas sem a devida transparência.

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