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Prefeito de Itabira pede apuração da Câmara sobre conduta do vereador Luiz Carlos de Ipoema

Prefeito de Itabira pede apuração da Câmara sobre conduta do vereador Luiz Carlos de Ipoema

Vereador Luiz Carlos de Ipoema - Foto: Gustavo Linhares/DeFato

O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), encaminhou à Câmara Municipal dois ofícios (nº 137/2025 e nº 138/2025), solicitando providências regimentais e legais sobre a conduta do vereador Luiz Carlos de Souza “de Ipoema” (MDB). Os documentos foram lidos na reunião ordinária do Legislativo na terça-feira (13) e apontam supostos episódios de invasão e desrespeito a normas administrativas em três unidades da Prefeitura.

De acordo com os ofícios, os episódios ocorreram nos dias 23 e 30 de abril e em 7 de maio deste ano. Em todos os casos, Luiz Carlos teria ingressado em espaços públicos de acesso restrito, sem autorização ou acompanhamento técnico da Prefeitura, filmando ambientes e servidores e divulgando o material em redes sociais.

No primeiro episódio, o vereador esteve no Almoxarifado de Medicamentos, na avenida Osório Sampaio, onde estariam guardados insumos destinados ao descarte. A Prefeitura alega que o local estava em processo de desativação e que a entrada se deu de forma abrupta, sem comunicação prévia.

No segundo caso, o parlamentar teria visitado a Unidade Básica de Saúde (UBS) do distrito de Ipoema, novamente sem autorização ou aviso, segundo a gestão municipal. A conduta, de acordo com os ofícios, causou constrangimento a servidores e prejuízo ao atendimento de usuários.

O terceiro episódio citado pela Prefeitura ocorreu no Centro de Reabilitação Municipal Abel Camilo de Oliveira Lage. Conforme descrito, Luiz Carlos teria coagido servidores e exposto pacientes em situação de vulnerabilidade durante tratamento, utilizando as imagens para redes sociais.

A Prefeitura aponta que as condutas do vereador podem configurar violação dos princípios da legalidade, moralidade administrativa e da separação dos poderes. Também menciona possível infração ao decoro parlamentar e eventual ilicitude penal, conforme o artigo 150 do Código Penal Brasileiro, que trata de violação de domicílio por analogia a espaço público de acesso restrito.

Nos dois ofícios, o prefeito solicita à presidência da Câmara a devida apuração dos fatos, com base na legislação vigente, incluindo o Regimento Interno do Legislativo e a Lei Orgânica do Município. A Prefeitura também comunicou formalmente os episódios à Polícia Civil, com lavratura de boletins de ocorrência.

Outro lado

Durante a reunião ordinária da Câmara, o vereador Luiz Carlos de Ipoema se manifestou sobre os ofícios enviados pelo prefeito Marco Antônio Lage. O parlamentar afirmou estar tranquilo quanto à legalidade de suas ações. Ele declarou que também registrou ocorrência policial e que exerce apenas seu dever de fiscalizar.

“Eu tenho a plena consciência de que estou aqui para fazer o papel de vereador que é fiscalizar. Eu acredito que o prefeito não está acostumado com isso, mas eu estou tranquilo. Tenho o vídeo de tudo, não maltratei ninguém e fiz tudo dentro da lei”.

Sobre o primeiro episódio, ocorrido no armazém de medicamentos, Luiz Carlos afirmou ter recebido denúncia de que mais de R$ 60 mil em medicamentos vencidos estavam armazenados no local. “É dinheiro público e a gente tem que ter respeito com ele. Com esse valor poderia comprar remédio para atender a nossa comunidade”.

A respeito da vistoria no Centro de Reabilitação, o vereador também disse ter agido com base em denúncias: “Recebi denúncias de que a piscina está com a norma totalmente irregular, fui lá para fazer a fiscalização e fui barrado por servidores. Eu vou mover uma ação pública! Não maltratei ninguém, tem vídeo, tem tudo. O PSF de Ipoema ficou mais de um mês sem a cadeira funcionando”.

Apuração interna

Em conversa com os jornalistas após a reunião ordinária de terça-feira, o presidente do Legislativo, Carlos Henrique Silva Filho “Carlin Filho” (Solidariedade), disse que os ofícios da Prefeitura de Itabira serão encaminhadas à comissão especial, que atualmente abarca todas as comissões legislativas, inclusive a de Ética.

“Esses ofícios a gente encaminha para a Comissão de Ética, que irá tratar desses assuntos e ver quais providências serão tomadas. A leitura hoje desses ofícios vindos do governo municipal torna público esse pedido [de apuração da conduta do vereador Luiz Carlos]”, explicou Carlin Filho.

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