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Prefeitura de Mariana se posiciona após turistas encenarem escravidão em pelourinho e reforça respeito à memória histórica

Prefeitura de Mariana se posiciona após turistas encenarem escravidão em pelourinho e reforça respeito à memória histórica

Foto: Reprodução/Redes sociais

Um vídeo gravado na cidade de Mariana nesta semana passou a circular nas redes sociais e gerou repercussão ao mostrar turistas em frente ao pelourinho localizado na Praça Minas Gerais. Nas imagens, os visitantes aparecem encenando situações associadas à escravidão, com gestos e simulações de tortura enquanto realizam a gravação.

Conforme divulgado pelo portal Itatiaia, o conteúdo foi produzido em um dos principais pontos históricos do município, integrante do conjunto arquitetônico colonial da cidade. O registro segue formato comum em publicações de redes sociais, com pessoas interagindo diante de locais turísticos, mas o contexto da encenação provocou críticas e debate sobre memória histórica e respeito ao patrimônio cultural.

Em nota, a Prefeitura de Mariana informou que o caso já é de conhecimento do prefeito Juliano Duarte e do secretário municipal de Patrimônio Cultural e Turismo, Eduardo Batista.

Segundo o Executivo municipal, o pelourinho situado na Praça Minas Gerais representa um dos mais relevantes conjuntos urbanos do período colonial brasileiro e possui forte significado histórico. A administração destacou que o monumento está diretamente associado a práticas de punição pública e violência institucional, especialmente no contexto da escravidão, não sendo um elemento de uso recreativo ou cenográfico.

A Prefeitura informou ainda que o tema será encaminhado ao Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, que deverá avaliar medidas voltadas à qualificação da comunicação pública no espaço. O município reiterou compromisso com a preservação do patrimônio cultural, a proteção da memória coletiva e a promoção de um turismo responsável.

Até o momento, não há informações sobre a identificação das pessoas que aparecem nas imagens.

Vereador se manifesta

O caso foi divulgado pelo vereador Pedro Sousa, que se manifestou publicamente sobre o episódio. Segundo ele, moradores já presenciaram situações semelhantes em outras ocasiões. “Quem nasceu em Mariana já presenciou turistas que se sentem à vontade para ir até a Praça Minas Gerais e gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”, afirmou.

Ainda de acordo com o vereador, o tipo de encenação remete à violência histórica sofrida pela população negra durante o período escravocrata. “Esse tipo de atitude, carregada de estereótipos, dor e desrespeito, fere a dignidade do povo preto, que foi sequestrado da África”, declarou. O vídeo mostra os turistas diante do pelourinho, estrutura historicamente associada à aplicação de punições públicas durante o período colonial. O monumento integra o cenário histórico da Praça Minas Gerais, espaço reconhecido por reunir edificações e marcos importantes da formação de Mariana.

Pedro Sousa também afirmou que o episódio evidencia a necessidade de maior conscientização sobre a relação entre visitantes e patrimônios históricos. “É preciso lembrar que a escravidão foi um dos maiores crimes contra a humanidade, e que Mariana foi construída com o sangue de pessoas negras”, disse.

Para ele, atitudes que transformam esse contexto em entretenimento não devem ser naturalizadas. “Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história. Para mim, esse tipo de postura não é bem-vinda na nossa cidade”, completou.

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