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Prefeitura de Senador Amaral (MG) declara ‘morango do amor’ como patrimônio cultural imaterial

Foto: Reprodução/Redes sociais

A Prefeitura de Senador Amaral (MG) declarou o “morango do amor” como patrimônio cultural imaterial. O doce, que viralizou nacionalmente após vencer o concurso gastronômico do Festival de Inverno 2025 do município em junho, agora busca reconhecimento em âmbito estadual. A iguaria teria origem na cidade sul-mineira, conhecida pela produção de morangos e que possui apenas 6,2 mil habitantes.

“Depois do concurso, o doce virou febre”, afirmou o secretario municipal de Turismo e Cultura, Evanil Emiler da Silva.

O secretário municipal foi o responsável pelo inventário que garantiu ao “morango do amor” o título de patrimônio imaterial de Senador Amaral. O estudo destacou a relevância econômica e cultural da fruta para o município – um dos maiores produtores de Minas Gerais, com 21 milhões de pés plantados em 420 hectares e produção anual de 32 mil toneladas. O documento já foi encaminhado ao IEPHA/MG para pleitear o reconhecimento estadual.

“Para ser tombado, o primeiro passo tem que ser inventariado. A partir agora das ações que a gente realizar com o morango, cada vez mais ele vai criando forças, caracterizando esse produto exclusivo de Senador Amaral”, explicou Silva.

De acordo com o secretário municipal, o reconhecimento como patrimônio cultural pode garantir recursos ao município através do ICMS Cultural.

“Senador Amaral sai na frente. Com esse registro a gente capita recursos para cidade que soma aí na pontuação do patrimônio cultural e a gente consegue cada vez mais trabalhar a cultura do nosso município”, afirmou.

A decisão sobre o reconhecimento estadual deve ser divulgada até o final deste ano, segundo informações oficiais.

Febre do doce do amor

O “morango do amor” surgiu oficialmente em Senador Amaral pelas mãos da confeiteira Cláudia Maria Nicoleti, que venceu o concurso culinário do Festival de Inverno em junho – apenas seis meses após se mudar para a cidade. Apesar de ter recebido o prêmio em dinheiro, a confeiteira não esperava o sucesso nacional que seu doce alcançaria posteriormente.

A receita do “morango do amor” – morango envolto em brigadeiro de leite em pó e açúcar cristalizado – viralizou nas redes sociais nas últimas semanas, impulsionando vendas em docerias pelo país. O sucesso foi tanto que começaram a aparecer outras versões de comidas e doces “do amor”, como milho, maracujá, kiwi e até torresmo e picanha.

Há quatro anos no ramo de doces, Cláudia iniciou a atividade no interior paulista após ficar desempregada como faxineira durante a pandemia. Com a vitória no concurso e o sucesso do “morango do amor”, que sempre vendeu informalmente, agora planeja ampliar o negócio e concretizar o sonho de abrir uma doceria.

“Quando eu ganhei o concurso eu vi que era mais um sinal que eu estou no caminho certo. Vem na cabeça que é só o primeiro, já abre a visão da gente, porque a vida é tão maçante, a gente esquece de sonhar sobre o trabalho e agora os sonhos voltaram a renascer”, diz.

A confeiteira revelou que criou o “morango do amor” e suas variações inspirada no paladar da filha de 10 anos, fã da combinação de morango com brigadeiro de chocolate.

“Todo sábado tinha que ter o brigadeiro com morango e aí surgiu a ideia de pôr leite ninho com morango e depois de pôr na calda e foi virando esse bombom de morango delicioso que é hoje”, afirmou.

Antes de chegar à versão final apresentada no concurso, Cláudia realizou diversos testes com a receita. A confeiteira demonstra surpresa com a viralização do doce nas redes sociais.

“É um doce assim complicado de fazer, viu? Demanda muito tempo. Não foi do dia para a noite para chegar nesse brilho e nesse cristal que derrete na boca. Na internet é tudo bonito, ninguém fala da mão queimada, quase perdi meu dedo. O negócio é complicado de verdade”, diz.

Durante os testes, a confeiteira desenvolveu variações como morango com brigadeiro de beijinho, bicho de pé e maracujá, que também comercializa. Produzindo sozinha, consegue fazer apenas 40 unidades diárias do “morango do amor” – quantidade insuficiente para atender a demanda. Os morangos usados vêm da propriedade do marido, Juliano Rodrigues, produtor local. O sucesso veio com ajuda de clientes: uma a incentivou a inscrever-se no concurso e outra batizou o doce.

“O meu nome Cláudia Bombom que está no Instagram foi cliente que deu. O morango do amor também, foi cliente que deu. Tudo o que as clientes vão falando eu vou pegando e unindo no meu trabalho”, afirma.

*Com G1.

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