Durante a reunião de prestação de contas realizada na reunião de comissões da Câmara Municipal de Itabira, o presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itabira (SAAE Itabira), Valdeci, fez um apelo direto à população para o uso correto da rede coletora de esgoto e destacou que práticas inadequadas seguem impactando o sistema de saneamento do município.
Segundo ele, o SAAE tem identificado recorrentes problemas na rede, principalmente devido ao descarte irregular de materiais que não deveriam ser lançados no sistema, como fraldas, absorventes e até toalhas. Valdeci ressaltou que esse tipo de situação tem comprometido o funcionamento das estruturas de coleta e tratamento. “Já retiramos das redes coletoras diversos objetos que não têm como estar ali, como absorventes, fraldas e até toalhas. Isso tem prejudicado muito o sistema”, afirmou.
O presidente também alertou para outro problema recorrente: a ligação indevida da água da chuva na rede de esgoto. De acordo com ele, em períodos de chuva intensa, o volume de água lançado de forma irregular sobrecarrega o sistema e pode causar refluxo e entupimentos. “Muita gente joga a água do telhado na rede de esgoto. Isso é um problema sério. A rede não comporta esse volume”, explicou.
Além disso, Valdeci relatou que equipes do SAAE têm encontrado resíduos domésticos que acabam sendo levados para a rede durante chuvas ou em situações de descarte inadequado em áreas externas das residências.
Ele reforçou que a orientação à população tem sido feita por meio de campanhas nas redes sociais, mas que ainda há resistência ao uso correto da infraestrutura.
Estudo sobre consumo e possível impacto na tarifa
Durante a prestação de contas, o presidente também abordou estudos em andamento relacionados ao sistema de abastecimento de água e possíveis reflexos na arrecadação e na tarifa.
Valdeci explicou que fatores como a intermitência no fornecimento influenciam diretamente o padrão de consumo da população, que tende a armazenar água e, em alguns casos, reduzir usos cotidianos por receio de falta no sistema.“Uma coisa é colocar 600 litros de consumo, outra é 400 litros. Hoje o SAAE às vezes deixa de arrecadar justamente por causa da intermitência no sistema”, afirmou.
Ele destacou ainda que, com a futura estabilização do abastecimento e maior regularidade no fornecimento, a tendência é de aumento no consumo médio da população — fator que, segundo ele, precisa ser considerado nos estudos técnicos para evitar impactos diretos na tarifa. “Quando houver água abundante, com certeza a média de consumo vai aumentar na cidade. Isso tem que ser inserido no sistema”, disse.
Valdeci reforçou que o processo envolve análises complexas e contínuas e que o objetivo do SAAE é buscar equilíbrio para que a população não seja prejudicada financeiramente. “São várias situações que precisam de um estudo bem feito para que a população não sofra com a tarifa”, completou.

