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Preso na Bolívia, Mancha é encontrado com US$60 mil e documentos falsos e deve ser transferido para Minas

Preso na Bolívia, Mancha é encontrado com US$ 60 mil e documentos falsos e deve ser transferido para Minas

Delegada-Geral da PCMG, Letícia Gamboge, Superintendente Regional da PFMG, Richard Murad Macedo na coletiva de imprensa. Foto: Ramon Agostinho/DeFato Online

A prisão de Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como Mancha, natural de Contagem, na Região Metropolitana e suspeito de tráfico internacional de drogas e vínculo com organizações criminosas, ganhou novos detalhes após coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (16), com participação de representantes da Polícia Civil e da Polícia Federal. Segundo os investigadores, o traficante mineiro de 34 anos foi localizado na noite de domingo (15), em um condomínio de alto padrão na região de Urubó, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde vivia com a companheira. No local, foram encontrados US$60 mil em dinheiro, um passaporte italiano falso e uma célula de identidade boliviana também falsa.

De acordo com os delegados, Mancha era monitorado desde 2024 e já figurava entre os alvos prioritários, inclusive na lista de procurados do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Polícia Civil informou que a investigação contra ele, em Minas, ocorre desde 2022, com apurações relacionadas a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A Polícia Federal, segundo a coletiva, também mantinha investigação sobre remessas e conexões ligadas ao tráfico.

Os responsáveis pela entrevista coletiva disseram que Mancha não ofereceu resistência no momento da captura e ressaltaram que a prisão ocorreu com apoio da Força Especializada em Combate ao Narcotráfico da Polícia Boliviana. Em seguida, foram iniciadas tratativas para o recambiamento ao Brasil, já que, conforme explicado, a condução de transferências internacionais é atribuição da Polícia Federal. A previsão apresentada na coletiva é que ele seja levado primeiro a Brasília, por logística interna, e posteriormente transferido para Belo Horizonte, onde deve ser entregue às autoridades estaduais para encaminhamento ao sistema prisional.

Segundo a Polícia Civil, ele foi preso em 2023 e, em dezembro daquele ano, passou a cumprir prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Em julho de 2024 ele descumpriu a ordem judicial e se tornou foragido após romper a tornozeleira. Houve diligências em Minas e, inicialmente, circulou a informação de que estaria no Rio de Janeiro. O trabalho de inteligência, porém, consolidou a linha de que ele estava na Bolívia, onde permaneceu por cerca de um ano, de acordo com a estimativa mencionada na coletiva.

Os representantes da Polícia Civil afirmaram que, mesmo fora do país, Mancha manteve rede de contatos e estruturas voltadas a ocultação de patrimônio, com uso de empresas de fachada e documentos falsos, incluindo criação de CPFs e identidades, além de atuação por meio de negócios usados como suporte financeiro. Foi lembrada, na entrevista, a Operação Blot, deflagrada em 2024, que teve Mancha como alvo central e resultou, segundo a coletiva, no indiciamento de 38 pessoas, na prisão de 17 investigados e no bloqueio aproximado de R$600 milhões em bens e valores, além de veículos e imóveis vinculados ao grupo.

Questionados sobre vínculos com facções, os delegados disseram que não consideram confirmado, no âmbito da Polícia Civil, o enquadramento de Mancha em uma facção específica. A avaliação apresentada foi a de que ele mantinha atuação com perfil mais empresarial, negociando com diferentes grupos conforme a oportunidade, com menções a contatos já identificados com indivíduos associados ao Comando Vermelho e a informações de presença em área boliviana com influência do PCC, sem que isso permita atribuição automática de filiação.

Na coletiva, também foi citado um procedimento investigativo que tramita no Pará ligado a um caso de tráfico internacional, com referência à remessa de cocaína ocultada em carga de açaí e apreendida com destino à Portugal, episódio mencionado como parte do histórico de apurações que envolvem o investigado. A Polícia Civil acrescentou que há processos em curso e que ele responde por tráfico nacional e internacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com mandado expedido pela Justiça de Minas.

A Polícia Civil afirmou que a definição de eventuais benefícios ou decisões futuras sobre a custódia não cabe à instituição, mas ao Poder Judiciário, a partir do andamento processual e das manifestações das partes.

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