A prestação de contas da Prefeitura de Belo Horizonte na Câmara Municipal, realizada nesta segunda-feira (6), colocou em evidência uma lista extensa de temas sensíveis da cidade levantados pelos parlamentares. Entre eles estavam obras paradas, dificuldades na saúde, transporte coletivo, requalificação do Centro, municipalização do Anel Rodoviário e o passivo do Orçamento Participativo. Antes de responder aos vereadores, o prefeito apresentou ações de seu primeiro ano de gestão
Durante a reunião, Álvaro Damião também mencionou Fuad Noman, de quem era vice, e afirmou que administra a cidade em continuidade ao governo anterior. A sessão foi marcada por perguntas diretas vindas tanto dos vereadores quanto da galeria, inclusive sobre a Praça do Papa e sobre a aquisição de iPhones pela prefeitura. Sobre os aparelhos, ele disse que foram obtidos por meio de doação da Receita Federal e destinados a áreas técnicas, como comunicação e Prodabel.
Vereadores questionaram a demora em obras de drenagem e também a necessidade de novos empréstimos enquanto intervenções antigas ainda não foram concluídas. Em resposta, o prefeito sustentou que parte dessas obras já produziu efeito, mesmo sem estar finalizada, e afirmou que os financiamentos seriam necessários para executar melhorias que não cabem no orçamento atual. Esse debate se conecta ao momento em que a Câmara já discute projetos para autorizar novos empréstimos bilionários para a prefeitura, inclusive para o Anel Rodoviário.
O Anel, aliás, apareceu como um dos pontos centrais da prestação de contas. Ao ser questionado sobre radares e sobre obras como a ampliação de faixas no trecho do pontilhão da linha férrea, na região do Betânia, Damião evitou fixar prazos e disse que prefere não criar expectativa antes do avanço dos projetos e das etapas formais. A declaração vai na mesma linha de falas anteriores, em que a prefeitura reconheceu a complexidade das obras estruturantes previstas para a via.
Já no âmbito do Orçamento Participativo, vereadores lembraram que há obras escolhidas pela população que seguem travadas há anos e perguntaram como a prefeitura pretende definir prioridades. Segundo o relato da Câmara, o prefeito respondeu que o critério adotado será a ordem cronológica, com início pelas intervenções mais antigas. O tema já vinha sendo acompanhado no Legislativo desde o ano passado, quando a prefeitura apresentou previsão de mais de R$207 milhões para obras do OP em 2026.
Os Vereadores demonstraram preocupação com a velocidade da tramitação do projeto de requalificação do Centro e com a possibilidade de a proposta beneficiar mais o setor da construção do que os moradores da região. O prefeito defendeu a ideia de estimular moradia e ocupação no hipercentro, argumentando que a região perde circulação no fim do expediente. O tema já vinha sendo tratado como uma das marcas da gestão ao longo dos últimos meses.
Na saúde, foi citado, durante a sessão, o cenário crítico dos hospitais da capital e um déficit orçamentário projetado de R$787 milhões para 2026. O prefeito afirmou que pretende equilibrar as contas para evitar cortes drásticos, especialmente nessa área. A sessão ocorreu num momento em que o próprio noticiário político local já destacava que a prefeitura chega à fase de prestação de contas com as finanças sob atenção.
O prefeito fez um balanço positivo da gratuidade dos ônibus aos domingos e feriados e admitiu a possibilidade de discutir, no futuro, ampliação do passe livre para estudantes universitários em situação de vulnerabilidade, embora sem apresentar prazo. Também se comprometeu com a recuperação do asfalto da cidade e afirmou que um novo contrato com a Copasa deve prever recursos para reparar buracos deixados por intervenções da companhia.
A apresentação formal das contas é um rito previsto anualmente. Nos próximos dez dias, os vereadores ainda poderão encaminhar novos pedidos de informação ao Executivo antes que o processo siga para análise técnica do Tribunal de Contas do Estado.

