A pandemia afetou a sociedade em vários níveis, desde o âmbito financeiro e da saúde, até a forma como vivemos nosso dia a dia. Infelizmente, ela também impactou a saúde mental de muita gente.
Uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e divulgada pelo periódico científico The Lancet constatou que os casos de ansiedade e estresse mais que dobraram durante a pandemia. Os casos de depressão não ficaram para trás e tiveram um aumento de 90%, segundo a mesma pesquisa.
Por isso, a procura por tratamentos psicológicos se intensificou bastante neste atípico período. Em Itabira, não é diferente. Pessoas de diferentes perfis e rotinas tem tentado encontrar alternativas para superar este momento sem que a saúde mental seja tão afetada.
É o caso do estudante de Engenharia da Computação da Unifei, Pedro Figueiredo. Ele viu a maioria das suas atividades diárias serem interrompidas por conta do coronavírus. Passando mais tempo recluso, o jovem de 23 anos ouviu do seu psicólogo que seria necessário repensar seu relacionamento com a própria casa.
“Meu psicólogo me falou que eu tinha uma relação muito íntima com meu quarto, como se minha casa fosse só ele. Eu não tinha uma sala, uma cozinha, não tinha nada. Por isso, tive que aprender a conviver bem com as outras partes da casa. Ao invés de fazer tudo no quarto, comecei a tomar um café na cozinha, lia um livro na sala, estudava na cozinha ou na sala. Isso aliviou bastante, foi uma coisa bem positiva para mim durante o tratamento”, relata Pedro.
Quem também recorreu a um tratamento foi a cantora Claudia da Silva. Morando em Conceição do Mato Dentro há três anos, ela veio à Itabira em junho por motivos profissionais. Com a mudança, porém, vieram fortes crises de pânico. O principal temor da cantora era contrair o vírus e transmiti-lo a família e amigos.
A situação se agravou tanto que Claudia chegou a ficar uma semana dentro do quarto sem se comunicar com pessoas próximas. Após se auto medicar e passar por exames para testar se estava com Covid-19, ela procurou um suporte psicológico.
“Eu decidi buscar o tratamento quando isso estava afetando meu trabalho. Na minha primeira live, tive uma crise, me dava pânico só de segurar o microfone. Depois disso procurei um psicólogo para entender o que causou a situação e aí descobri que foram vários fatores, sendo a pandemia o maior gatilho. Hoje o tratamento tem salvado minha vida, porque entendi que meu maior problema são meus pensamentos. Preciso dominar esses pensamentos negativos e irreais”, conta a artista.
Apoio especializado
Especializado em psicologia cognitiva comportamental, o psicólogo Vinícius Deiró diz que houve um aumento na procura pelos seus serviços durante a pandemia. Foram 32 novos pacientes nesse período. A adaptação à nova realidade e a dificuldade em trabalhar e cuidar dos filhos simultaneamente estão entre as queixas mais frequentes entre seus pacientes.
Além de um tratamento, que muitos, por algum motivo, não conseguem fazer, Vinícius deixa outras dicas. “É muito importante a manutenção de uma rotina com hábitos saudáveis. Por exemplo: uma alimentação mais funcional, de preferência orientada por um nutricionista, atividades físicas, além do zelo por relações mais saudáveis com pessoas e o trabalho”, orienta.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) de Itabira, que oferece um serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, passa por situação semelhante. Segundo a própria instituição, houve um aumento aproximado de 25% no número de pacientes após o início da pandemia.
Apesar deste número, muitas pessoas ainda relutam em procurar ajuda. De acordo com o voluntário e porta voz do projeto, Maurício André, a desinformação é o principal fator para este “medo”.
“O que existe é falta de informação. Muitas pessoas pensam que só quem está na iminência de tentar suicídio é que liga para o CVV. Isso é falso, todos podem ligar para conversar sobre seu sentimentos. Existe total sigilo, respeito, aceitação, compreensão e empatia, sem julgamento ou aconselhamento”, explica.
Como ser voluntário no CVV
O centro deseja atualmente disponibilizar seu serviço 24 horas por dia. Para isso, é necessária a adesão de mais voluntários. Caso tenha interesse em se voluntariar, o candidato deve ter 18 anos ou mais e se inscrever no site www.cvv.org.br. Após o preenchimento de uma ficha, a inscrição será encaminhada à cidade mais próxima com um posto CVV.

