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Professor da USP é afastado depois de “premiar pior aluno em sala de aula”

Professor da USP é afastado depois de "premiar pior aluno em sala de aula"

Foto: Marcos Santos/USP

Um professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) foi afastado de suas atividades depois de constranger um estudante entregando um “prêmio de pior aluno” em sala de aula. O fato foi denunciado por alunos dos centros acadêmicos da instituição na terça-feira (19). No mesmo dia, a instituição de ensino anunciou o afastamento do professor.

Segundo os alunos, o professor havia anunciado que iria premiar os dois melhores alunos da turma com uma coleção de seus livros referentes ao conteúdo do curso, e, ao pior, daria um livro de poesias de sua autoria. Os estudantes afirmam que não acreditavam que ele pudesse, de fato, realizar a última entrega.

“Nesse sentido, * os presentes na sala 105 não só foram surpreendidos com a sórdida premiação do apontado senhor, mas também assistiram bestializados a aluna ser importunada a levantar-se frente à turma depois de negar várias vezes, e ser pilheriada por meio de uso jocoso do idioma de seus ancestrais — as palavras konichwa, sayonara, ohayo foram usadas sem nexo lógico aparente — enquanto recebia o livro”, diz a nota publicada pelos centros acadêmicos, com um asterisco no lugar do nome da estudante premiada.

A jovem rejeitou ler trecho do livro, apesar da insistência do professor e, segundo os alunos, ele próprio leu um trecho, dizendo que a aluna estava “envergonhada”.

Os colegas da jovem, em nota, alegaram que a aluna “premiada” como a pior da sala passou por problemas de saúde quando ingressou na universidade, precisando ser afastada das atividades acadêmicas por diversas vezes.

“Não podendo comparecer às aulas, inclusive às avaliações, alertou os professores dos institutos que estudava da sua condição de saúde, por meio de atestados e recomendações médicas, já que sabia que seu desempenho acadêmico ficaria prejudicado”, ressalta o texto.

Em nota, o Instituto de Geociências da USP disse ter recebido “com consternação e pesar” a nota de repúdio redigida pelos alunos da instituição: “Os fatos narrados são tristes, desrespeitosos e aviltantes e não coadnunam, de maneira alguma, com a filosofia da gestão recém-iniciada”.

Ainda segundo a USP, o professor em questão é aposentado, mas continua ativo via adesão ao quadro permissionário previsto no estatuto da universidade. Ele foi afastado de suas atividades enquanto a situação é averiguada. “Se confirmados os fatos, serão adotadas medidas cabíveis ao caso conforme preconiza a jurisprudência universitária”, finaliza a nota da USP.

O professor foi identificado como sendo Joel Sigolo.

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