Professores de Itabira e Monlevade falam sobre a angústia do ensino remoto
Redação DeFato Online
Foto: Arquivo pessoal
* Por Luciano Vidal e Victor Eduardo
Hoje (15) é Dia dos Professores! Uma data simbólica que merece respeito, principalmente, na prática da profissão e valorização profissional. Há cerca de sete meses, a pandemia do coronavírus impôs um desafio à classe: o ensino remoto. Mentores que nunca tinham entrado em uma sala virtual, tiveram que adaptar-se em questão de meses.
Entrevistamos alguns docentes da rede pública de ensino, rede privada, ensino técnico e superior de João Monlevade e Itabira. O intuito é sabermos além de como tem sido os estudos nas salas virtuais, mas principalmente: como está o seu sentimento estando fora do seu habitat natural (sala de aula) com os alunos?
A professora de português e redação da rede pública e privada, Claudete Couto, contou que o principal desafio é lidar com o emocional. Ela, que leciona há mais de 20 anos, está há sete meses longe dos alunos e das salas de aulas.
“Ninguém percebe que esse tem sido nosso maior problema. Primeiro tivemos que ter a humildade, o bom senso de entender um paradoxo. Ao mesmo tempo que ficou evidente a importância do papel do professor no processo de ensino – aprendizagem, ficou nítido também que, apesar estarmos fazendo o melhor que podemos, isso não ficará claro para o aluno. Muitos deles, aliás, fecharão o ano sem ter aproveitado o que realmente poderiam. Por quê? Porque, por mais que você tente, há uma distância muito grande, uma barreira intransponível que estamos tentando entender e que muitos alunos também precisam superar”, destacou a professora.
Além disso, Claudete repercute o lado da saúde dos professores. Muitos sofrem por não conseguir digerir bem a situação e absorver o momento das aulas virtuais.
“Bate uma tristeza, uma solidão que só se cura quando se recebe um comentário, como tem acontecido muito, de um pai, um aluno, no meio desse turbilhão, elogiando sua aula, sua postura, seu trabalho. Pode parecer clichê, mas isso é o melhor presente, é esse nosso combustível. O fato é que precisamos buscar motivações, precisamos buscar caminhos para aliviar essa nova forma de trabalho. Senão, teremos mais professores doentes, coisa que já é muito comum em nossa profissão”, disse a professora de português.
Há 32 anos, Maria Lúcia Elisiário leciona na escola municipal Américo Giannetti, em Itabira. Atualmente, ela está à frente das turmas de educação infantil e o ensino fundamental. A professora itabirana conta que teve de recorrer ao whatsapp para dar as suas aulas. Assim como vários dos seus colegas, Maria Lúcia diz sentir muita falta do ensino presencial.
“Sinto muita falta das aulas presenciais, deste contato próximo com os alunos, da troca de carinhos e, principalmente, do meu olhar atento a cada um deles. Por meio delas, conseguia perceber seus reais avanços e dificuldades, além de fazer as intervenções pedagógicas necessárias”, relata.
Maria Lúcia diz que as atuais tecnologias poderão ser úteis após a pandemia – Foto: Arquivo pessoal
Apesar de compartilhar da mesma saudade, a professora da Escola Municipal Dona Inês Torres, Joana Machado, vê um lado positivo no ensino remoto. Atuando na área há mais de 20 anos, a itabirana enxerga um envolvimento maior dos pais no aprendizado dos seus filhos neste momento.
“Sinto um envolvimento muito grande dos pais na interação com os filhos, por se tratar de crianças ainda pequenas, que necessitam de auxílio o tempo todo. Os pais acompanham, interagem, enviam fotos e vídeos, e demonstram entusiasmo ao fazê-lo. Esta é a vantagem do ensino remoto em relação ao ensino presencial, pais e filhos estudando juntos”, destaca.
Apesar da dificuldade inicial, Joana garante que, com o passar do tempo, ela tem encontrado mais facilidade para utilizar as novas ferramentas de ensino. Abaixo, um vídeo da educadora aplicando uma das suas aulas: