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Projeto da Vale para reprocessamento de rejeitos gera debate entre vereadores em Itabira

Foto: Jardel Mendes/DeFato

Durante a reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira realizada na quinta-feira (19), os vereadores Bernardo Rosa (PSB), Elias Lima (Solidariedade) e Júlio Contador (PRD) discutiram o projeto apresentado pela Vale para o reaproveitamento de rejeitos e bens minerais metálicos depositados em barragens, diques e cavas do Complexo Minerário de Itabira.

A proposta foi apresentada ao Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema) no dia 12 de fevereiro e sofreu um pedido de vistas por parte dos conselheiros Patrícia Freitas (OAB Itabira) e André Viana (Sindicato Metabase), que solicitaram mais tempo para análise.
O projeto prevê o reaproveitamento de rejeitos acumulados nos diques Minervino e Cordão Nova Vista, na barragem de Conceição, na barragem e paliçadas do Rio do Peixe, e nas cavas Onça e Periquito.

Segundo a Vale, a iniciativa tem potencial para processar até 5 milhões de toneladas por ano de bens minerais metálicos e recuperar cerca de 5,8 milhões de metros cúbicos anuais de material atualmente disposto em estruturas de contenção, utilizando as usinas já existentes no complexo.

O vereador Bernardo Rosa destacou a necessidade de diálogo claro por parte da mineradora. “Obviamente, a gente cobra aqui, diuturnamente, clareza, transparência, um diálogo maior da Vale para com a cidade e para conosco, gestores públicos”, afirmou. Ele reconheceu a importância do reaproveitamento dos rejeitos, mas cobrou informações sobre os impactos da movimentação do material, especialmente em relação ao transporte e à segurança da população.

Bernardo também levantou questionamentos sobre a arrecadação municipal decorrente da atividade. “Ali vai ser apenas a sobra ou já paguei por aquilo que está minerado ou vou também pagar porque agora eu vou vender aquele rejeito que ali está?”, indagou, defendendo que o debate ocorra antes do início das operações.

O vereador Elias Lima, que acompanhou a reunião do Codema ao lado de Júlio Contador, manifestou preocupação com os impactos ambientais e sociais, especialmente para os moradores do entorno das áreas de retirada. Ele lembrou que a região já sofreu com problemas estruturais no passado, como trincas em imóveis. “A gente precisa também de máxima transparência com as pessoas que moram ao redor”, disse, citando ainda a necessidade de controle e o impacto no tráfego da rodovia que liga a região a Pedreira e Santa Maria.

Elias também cobrou melhorias por parte da Vale, como a iluminação de uma passarela no Morro do Laboreaux, onde moradores enfrentam problemas de segurança.

O vereador Júlio Contador ressaltou os possíveis benefícios do projeto, como a geração de aproximadamente 400 empregos diretos, com preferência para profissionais de Itabira. Ele também destacou a importância da temporalidade da atividade, com prazo estimado entre sete e dez anos, o que representa um “suspiro” para a mineração na cidade. “A gente sabe dos danos que são causados, mas também os benefícios que virão”, ponderou, defendendo um plano de manejo que preserve os imóveis e a qualidade de vida da população.

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