Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, Poços de Caldas, no Sul de Minas, e Araxá, no Alto Paranaíba, sediam empresas que vão protagonizar o movimento mundial de transição energética.
As cidades que recebem projetos da Companhia Brasileira de Lítio (CBL), Viridis Mining e St George Mining, respectivamente, possuem reservas de terras-raras e minerais críticos e mostram a diversidade e abundância das reservas minerais no estado.
O jornal O Tempo promoveu o seminário “Mineração 360º – O Motor da Economia Nacional, onde foram debatidos o potencial econômico e os desafios a serem superados pelos projetos.
Thiago Amaral, country manager da australiana St George Mining, lidera em Araxá um projeto multimetálico para exploração de nióbio e terras-raras, que são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades fundamentais para a indústria moderna, como na fabricação de turbinas, equipamentos de ressonância, foguetes, motores elétricos e baterias, por exemplo.
Thiago conta que a matriz procurou projetos em todo o mundo, mas escolheu o Brasil.
“É um investimento que acredita no potencial do Brasil, que são talvez os projetos mais bem ranqueados do mundo, porque o país, além das reservas, tem uma matriz energética limpa e capacidade de oferecer tecnologia e ambiente de negócios”.
O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas já captou mais de R$ 250 milhões e projeta o início da operação em até 3 anos.
Em Poços de Caldas, o projeto Colossus, da também australiana Viridis Mining, pretende explorar reservas de argilas iônicas ricas em neomídio, praseomídio, térbio e disprósio, elementos essenciais para a fabricação de imãs permanentes, usados em turbinas eólicas, sistemas de defesa e veículos elétricos, entre outras aplicações.
A expectativa é de que a planta esteja produzindo até 15% da produção mundial desses elementos até 2028.
Klaus Petersen, country manager da Viridis afirma:
“Vai ser um empreendimento de classe mundial, com padrões de sustentabilidade para o mundo todo. É um projeto elétrico com 100% de energia renovável”.
Klaus conta ainda que “a companhia pretende inaugurar em 2027 uma planta de reciclagem de imãs de terras-raras que recupera o óxido de terras-raras de equipamentos descartados, como uma máquina de ressonância ou uma turbina fora de uso. Vai ser uma réplica exata de uma planta de parceiros que já funciona na Irlanda“.
Em Araçuaí, a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), em operação desde 1985, se prepara para um novo momento na economia mundial, e pretende triplicar a capacidade de sua refinaria de lítio, que produz anualmente 2 mil toneladas e é atualmente a única refinaria do mundo fora da China a chegar no nível de pureza necessário para a fabricação de baterias para carros elétricos. Wison Brumer, integrante do conselho de administração da empresa, conta que um investidor indiano injetou cerca de US$ 40 milhões para se tornar sócio do projeto.
“Por que os indianos se interessam em participar desse processo? É simples, é a geopolítica.
É a discussão para ter uma menor dependência da China”.
Brumer disse, em relação à mina, que é subterrânea, que foi feita uma pesquisa que revelou uma reserva de 21 milhões de toneladas, o que pode levar a empresa a chegar a 200 mil toneladas de produção, garantindo a perenização da companhia”.
*Fonte: O Tempo

