Entre tantas abas abertas e telas para clicar, você caiu bem aqui — neste texto. Provavelmente você está em dia corrido, em meio a uma agenda intensa de compromissos, talvez sem muito tempo até para respirar direito. Mas, já que chegou até aqui, te convido a uma pausa. Uma pausa para refletir sobre essa pergunta: “qual o seu legado?”. Afinal, às vezes é importante sair do piloto automático para pensar no que fica, de fato, quando todo o resto passa.
Se permita alguns minutos de silêncio, deixe o barulho da rotina se calar um pouco e deixe essa pergunta reverberar em você: que marca estou deixando no mundo?
Por mais que a vida esteja cada vez mais acelerada, com dias que se atropelam e tarefas que se acumulam, há algo em nós que insiste em resistir à toda essa correria e agitação: um desejo profundo de significar, de viver com propósito, de saber que não estamos nesse mundo por acaso e que podemos imprimir marcas que irão deixar um legado positivo para as próximas gerações.
A palavra legado vem do latim legatum, que significa “aquilo que é deixado”. Mas não se trata de uma herança ou bens materiais transmitidos por testamento. Talvez você se preocupe em deixar uma boa herança aos seus filhos — e isso é ótimo — mas legado é sobre algo maior e mais desafiador. Legado diz sobre algo impalpável, mas perceptível e profundo. É tudo aquilo que deixamos no mundo por meio da nossa existência — valores, exemplos, gestos e aprendizados que continuam a falar mesmo depois que partimos.
É importante desmistificar a falácia de que quem deixa um legado são apenas a pessoas que construíram coisas grandiosas ou que são lembradas por multidões. Afinal, legados preciosos também são deixados, todos os dias, no anonimato. Às vezes deixa-se um legado em um simples gesto de escuta, em uma palavra que encoraja, em uma escolha ética feita no silêncio, em não desistir de fazer o bem mesmo quando isso tem um custo. O legado está no filho que aprende a respeitar e cuidar, no amigo que volta a acreditar, no colega de trabalho que se sente visto, no necessitado que é atendido, no que estava fora volta a pertencer. O legado está nos olhos que conectam, nas mãos que se estendem, nos braços que abraçam, no colo que acolhe.
Deixar um legado é cultivar o que permanece quando o tempo leva o que é passageiro. É ser lembrado pela forma como tratamos as pessoas, pelas pontes que construímos, pela esperança que semeamos, mesmo em dias difíceis. O tempo apagará a beleza, títulos, cargos, riquezas, mas nunca o efeito de uma vida vivida com propósito.
No fim, todos deixamos algo. Qual é o seu legado?
Sobre a colunista
Nina Magalhães é mãe de três, Terapeuta Ocupacional, mestre em Educação e Saúde e certificada como Educadora Parental e Consultora em Encorajamento. Palestrante e escritora, atua em diversos projetos em defesa da infância.

