A resposta do título acima é simples e fácil. Donald Trump, o falastrão do Norte, tem 1,90m de altura e pesa 110kg. Como se vê, trata-se de um velho guarda- roupa de 79 anos de idade. Perto do gringo, o presidente Lula (1,68m) não passa de anão de jardim. Mas, o questionamento desta coluna, evidentemente, tem outro sentido. A indagação refere-se à eficiência do norte-americano como “pedinte de votos” para candidatos da sua preferência mundo afora.
Logo no início do seu mandato, o republicano partiu com tudo para cima dos canadenses. Ameaçou até anexar a nação vizinha aos EUA. Simples sonho absurdo de megalomaníaco. O sujeito imaginou que o Canadá teria imenso prazer em se transformar no 51º estado da federação ianque. Não foi uma boa ideia. A investida aconteceu em pleno processo eleitoral canadense. Na ocasião, o Partido Conservador liderava as pesquisas de opinião. O falatório de Trump causou uma reviravolta. Consequência da verborragia republicana: o liberal Mark Carney recuperou terreno e, hoje, é primeiro-ministro. O involuntário cabo eleitoral, então, provocou a derrota de importantes aliados ideológicos (os conservadores). Foi uma virada histórica. A indireta intromissão do pombo bilionário alterou o posicionamento das peças no tabuleiro. Na Austrália, aconteceu fenômeno semelhante. O primeiro-ministro de centro-esquerda Anthony Albanese (Partido Trabalhista) foi reeleito com muita tranquilidade. E qual o pulo do canguru para tão amplo sucesso? Albanese desenvolveu consistente discurso anti- Trump e surrou os adversários nas urnas.
Dúvidas óbvias diante destes dois exemplos. O presidente dos Estados Unidos é típico pé- frio ou cabo eleitoral capenga? E como fica a política brasileira depois de o morador da Casa Branca meter a colher de pau nos assuntos internos daqui? Difícil um prognóstico prévio. Afinal, a sucessão presidencial só acontecerá em outubro do ano que vem. No momento, Orange se comporta como cabo eleitoral de luxo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O principal argumento para convencimento do eleitorado tupiniquim foi a escandalosa sobretaxa de 50%.
A estratégia, porém, não deu muito certo. A estapafúrdia iniciativa desarrumou o campo da direita. Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro, por exemplo, começaram a trocar uma série de suaves alfinetadas. E mais. O governo Lula, que se encontrava praticamente numa UTI, respirando com ajuda de aparelhos, começa a apresentar leves sinais de reação. O desastrado estadunidense fez emergencial respiração boca a boca no lulopetismo. Alguns dados numéricos indicam a real fotografia do instante. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira da semana atrasada (16) revela que 72% do eleitorado não concordam com “Trump associar o tarifaço à perseguição política a Bolsonaro”.
A situação ainda não está muito clara. O mais previdente é acompanhar os levantamentos dos diversos institutos nos próximos meses. Até lá, descobriremos se Donald é relevante apoiador ou apenas um tiro no saco. Não percam as imperdíveis cenas dos capítulos seguintes.
P.S.1: Quem diria. Até Romeu Zema e Eduardo Bolsonaro trocaram insultos. Esta briga é indigesta para 03. Afinal, “Chico Bento” come bananinha com a casca e tudo.
P.S.2: E a briga pelo governo de Minas Gerais? Por estas bandas, muito se tem falado de Alexandre Kalil, Cleitinho, Nikolas Ferreira e Rodrigo Pacheco. Sei não. O cenário parece favorável a Aécio Neves. Mas o ex-governador encontra-se no modo Tancredo, pois age como os três macaquinhos da porta do “Estábulo Sagrado”: não fala, não ouve e não vê.
Sobre o colunista
Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.
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