A permissão de consumo em bares e restaurantes em João Monlevade, a partir da adesão da Prefeitura local ao programa Minas Consciente, do Governo do Estado, é uma realidade desde terça (11). No entanto, alguns comerciantes e até mesmo a Associação Comercial Industrial e de Prestação de Serviços (Acimon), alegam que não houve uma reunião prévia de como isso aconteceria, sendo informados pela imprensa. Assim, ainda se adequam à nova realidade e pedem a compreensão dos clientes e mais amparo do Poder Público.
Fabiana Castro, proprietária de um restaurante na cidade, já vinha se preparando a essa nova realidade. Ela já disponibilizou álcool em gel em todas as mesas do restaurante, que estão com espaçamento entre si. Além disso, os saleiros e açucareiros dão lugar aos sachês. “Papel toalha nos banheiros, água sanitária para higienização dos assentos sanitários, isso tudo a gente já previa há quatro meses”, informou.
Ainda segundo Fabiana, a forma como se dará o consumo interno nos bares e restaurantes dependerá da soma de esforços dos comerciantes, clientes e Poder Público. “O comerciante deve sempre zelar pelo cumprimento das normas em seu estabelecimento. Estamos expostos, bem como nossos colaboradores, e, consequentemente, nossas famílias. O cliente deverá entender essa nova realidade e o Poder Público deve sempre nos orientar sobre isso”, opinou.
Diálogo
Em Itabira, o anúncio da adesão e as novas regras foram informadas pelo prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) em uma coletiva de imprensa, com a presença da secretária Municipal de Saúde. Em Monlevade, a informação foi repassada pela prefeita Simone Moreira e pela Procuradoria Jurídica do município em uma emissora de rádio local, durante o programa do marido de Simone, o ex-prefeito Carlos Moreira. No dia seguinte, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura enviou release à imprensa com links para o decreto de adesão e para o material com todas as diretrizes da proposta. Ao final do texto, o Executivo afirma:
Conforme determinação da Justiça, os prefeitos que não seguirem as normas do Estado estão sujeitos a ações penais e cíveis. Dessa forma, quem determina o que deve ser aberto é o Estado. A prefeita Simone Moreira, após reunião com várias entidades, definiu que o município iria aderir à Deliberação 17 do Comitê da Covid-19 e agora ao Plano Minas Consciente. Essas ações permitiram, em cada momento, que mais comércios fossem abertos. Nos próximos 28 dias mais empreendimentos poderão ser abertos. Para isso é muito importante o envolvimento da população e dos comerciantes, para João Monlevade avançar ainda mais no retorno de suas atividades.
A reportagem da DeFato entrou em contato com a Acimon. O presidente, Cássio Barros Evangelista, declarou que não houve reunião prévia com associação sobre a adesão ao Minas Consciente. A entidade afirma ainda que protocolou na Prefeitura em 25 de maio e 14 de julho pedidos de reabertura de vários segmentos na cidade, inclusive de academias, mas sem adesão ao programa do estado. Isso porque, na visão da Acimon, tal adesão “engessaria a tomada de decisão local”.
Além disso, a Associação Comercial afirma ser “responsabilidade do município, com base no acompanhamento de seu cenário atual, deliberar sobre as ações a serem tomadas e os setores que podem funcionar, dentro desse cenário, inclusive possibilitar a reabertura das academias”.

