O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da PEC da Blindagem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, afirmou que hoje há votos suficientes para barrar a proposta e aproveitou para ‘cutucar’ o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados.
“É uma PEC destinada a proteger quem comete crime”, e acrescentou que a PEC vai a votação nesta quarta-feira (24) e que vai finalizar o seu parecer ainda nesta terça-feira (23).
“Tem voto para derrotar a PEC tanto na CCJ quanto no plenário”, disse à GloboNews.
Vieira prossegue: “A proposta é inoportuna, equivocada e inconstitucional, e cria uma casta privilegiada que vai poder cometer qualquer tipo de crime na esfera federal, mas também na distrital e estadual. é literalmente uma PEC que protege bandido e ela não vai ter abrigo aqui no Senado”.
O senador criticou quem vota a favor da PEC e fez um parâmetro entre as Casas legislativas.
“Com relação à diferença de postura entre Senado e Câmara dos Deputados, a expressão que tenho usado é dura, mas verdadeira. Tem dois tipos de parlamentares que votam a favor desse tipo de proposta: aqueles que querem defender bandido e aqueles que não sabem o que estão votando. Nós, parlamentares, já temos um grau de imunidade previsto na Constituição. O que você não vai ter é o direito de cometer crime na tribuna”.
Não satisfeito, Vieira criticou o presidente da Câmara, Hugo Motta que disse que os deputados estão sendo processados por crimes de opinião, e que a Casa tentou proteger o livre exercício do mandato.
“Essa narrativa do presidente Hugo não se sustenta. Pode funcionar para um nicho muito segmentado, uma base desinformada, mas na realidade é muito difícil achar um eleitor brasileiro que concorde com a ideia de que alguém pode cometer um crime como homicídio e não ser investigado a não ser que os amigos concordem”, afirmou à GloboNews.
Finalizando, o relator disse que as manifestações contra a PEC da Blindagem foram importantes para “esvaziar desculpas”, fazendo menção aos deputados que se desculparam por votar a favor do texto na Câmara e disse que os protestos evidenciaram a repercussão do tema da sociedade.

