Relatório do Tesouro Nacional divulgado nesta quinta-feira (7) aponta que o governo federal registrou um déficit primário de R$5,5 bilhões em setembro, indicando uma melhora em relação ao déficit de R$ 22,4 bilhões acusados em agosto e um melhor desempenho mensal, de fato, desde abril de 2024.
O saldo de setembro, historicamente, é considerado positivo desde setembro de 1997, mesmo com o acumulado do ano demonstrando um aspecto preocupante.
O déficit acumulado atingiu, em setembro, o valor de R$ 105,2 bilhões, o pior resultado para o período desde 2020.
No mesmo intervalo do ano passado, o déficit foi de R$94,3 bilhões, em termos nominais, com a diferença destacando a crescente pressão nas contas públicas e sugerindo suspeitas crescentes sobre a sustentabilidade fiscal do país.
A queda nas receitas do governo foi de 4,8% em setembro em comparação ao mesmo período de 2023, mesmo com um crescimento real de 7,2% no acumulado do ano, mas, em contrapartida, as despesas tiveram um aumento de 1,4% em setembro, descontando a inflação, e 6,5% no acumulado dos nove primeiros meses do ano. Esse crescimento reflete nas contas obrigatórias, que somaram 18,3% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto as despesas discricionárias do Executivo alcançaram apenas 1,8%.
O déficit acumulado nos últimos 12 meses (setembro de 2023/2024) totalizou R$245,8 bilhões, representando 2,12% do PIB.
Para o exercício deste ano, o governo estabeleceu duas metas principais, sendo a primeira um resultado neutro, ou, zero em relação ao PIB, com uma variação permitida de até 0,25 ponto percentual, com o limite desse déficit de até R$ 28,8 bilhões. A segunda meta é o controle das despesas, fixado em R$2,089 trilhões para o ano.
O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, publicado em setembro, previa um déficit de R$ 28,3% bilhões para as contas deste ano.
O superávit primário acumulado do Tesouro Nacional até setembro foi de R$160,634 bilhões. No entanto, as contas do Banco Central acusaram um déficit de R$ 241 milhões em setembro e R$941 milhões nos primeiros nove meses de 2024.
O resultado de setembro ficou dentro do esperado pelo mercado financeiro, que previa um déficit de R$5,2 bilhões, conforme levantamento do Projeções Broadcast.
* Fonte: Guia do Investidor

