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Memória: confira a segunda parte da história de Saulo Braga, que começou o novo sindicalismo de Itabira

Um trágico acidente colocou ponto final no sonho de Saulo Queiroz, que mexeu com o sindicalismo itabirano

Foto: Reprodução

Saulo Queiroz Braga entrou para o movimento sindical de Itabira com objetivo previamente definido: assumir a presidência do Metabase. O planejamento básico era formar uma chapa e participar do processo eleitoral da instituição. Com essa ideia na cabeça, traçou estratégia de  sistemática oposição aos dirigentes da entidade. A principal ferramenta para esse fim foi uma ácida retórica. “José Eustáquio e sua turma não passam de irresponsáveis pelegos”, disparava nas áreas operacionais da estatal. Assis Ferreira retrucava no mesmo tom: “Saulo é um moleque à procura de holofotes”. A troca de insultos fazia a temperatura subir cada vez mais.

O irrequieteo técnico se envolveu na política partidária. O ano de 1982 foi emblemático. A ditadura militar (1964 a 1985) respirava por meio de aparelhos. A República dos generais entrava na reta final. Neste ano, haveria eleições quase gerais (menos para presidente da República e prefeitos das capitais). A grande novidade seria a votação para governadores, que foi suprimida no início do regime de exceção. O pleito ficaria marcado pela estreia do então “inexpressivo” Partido dos Trabalhadores (PT) no processo eleitoral.

A disputa de Itabira foi tensa e emocionante. O script até contou com prosaico “sequestro” de um dos candidatos a prefeito. No embate itabirano, prevaleceu a polarização entre PMDB e PDS. Cada legenda poderia participar da refrega com vários pretendentes ao cargo de chefe do Executivo. De um lado, o PMDB saiu com Virgílio Gazire e Pedro Drummond. Na outra ponta, o PDS entrou em campo com José de Grisolia, José Vital e Wilson Gontijo. Saulo apoiou integralmente a candidatura de Virgílio Gazire. Para vereador, apostou no jornalista do Cometa Itabirano, Carlos Cruz. Também pediu votos para Jairo Magalhães Alves — o ex-prefeito peemdebista que tentaria a Assembleia Legislativa.

Saulo principiou as suas atividades sindicais promovendo reuniões de conscientização em bairros e região central. Falava para um público em quantidade crescente. Tinha conteúdo, pois pesquisou sobre as origens, características e desenvolvimento do movimento sindical no planeta. Adquiriu publicações sobre o tema. Alguns livros vieram do exterior. Certo amigo fazia as traduções de obras em inglês, francês, espanhol e Italiano. Milton Bueno, José Antônio Lopes e Antônio Carlos Almendagna (o Tuniquinho) participavam destes encontros. Algumas mulheres, funcionárias da CVRD, já debatiam com entusiasmo os assuntos da categoria.

Mas, de repente, de forma incisiva, Saulo mudou radicalmente o direcionamento do seu discurso. A diretoria do Metabase deixou de ser o alvo preferencial dos ataques. A partir de determinado instante, o sindicalista fustigou a direção da mineradora. Atacou Eliezer Batista, o icônico presidente da empresa, uma das estrelas mais cintilantes do cenário empresarial do país. E ainda sobraram farpas para o engenheiro Juarez César da Fonseca, o todo-poderoso superintendente das Minas.

No próximo e último capítulo, a coluna mostrará que o moço sonhador pagou um elevadíssimo preço pela sua ousadia, determinação e coragem.

Leia a primeira parte dessa história no link abaixo:

+ Saulo Queiroz Braga: o jovem que mudou a história do sindicalismo itabirano e morreu tragicamente

Sobre o colunista

Fernando Silva é jornalista e escreve sobre política em DeFato Online.

O conteúdo expresso é de total responsabilidade do colunista e não representa a opinião do portalDeFato Online.

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