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Sem previsão de volta, escolas em Monlevade buscam alternativas

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O jovem monlevadense Gabriel Araújo se dedica às aulas online durante a pandemia - Foto: Cíntia Araújo/DeFato

Matéria publicada na edição 73 do Jornal DeFato Cidades Mineradoras

A pandemia do coronavírus trouxe desafios às áreas de saúde e também às atividades econômicas. Contudo, uma terceira vertente, não menos importante, também foi impactada: a educação. De forma inesperada, escolas, professores, pais e alunos se viram em um cenário novo e extremamente desafiador. Em João Monlevade, a rede municipal de ensino vem buscando parcerias com a iniciativa privada e até mesmo com universidades para garantir a qualidade do conteúdo passado aos alunos.

Exemplo disso é a parceria com a Fundação ArcelorMittal. Segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, por meio da fundação é ofertado curso de práticas de ensino remoto de emergência. A exemplo das próprias aulas ofertadas aos estudantes, seja por meio de material impresso ou até mesmo de forma online, o curso dado aos professores é feito de maneira remota. Ainda segundo a Prefeitura, outra parceria na tentativa de capacitar os professores para o novo cenário são as aulas de informática em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), campus João Monlevade.

A soma de esforços se tornou imprescindível, em especial devido à falta de previsão de quando as aulas presenciais serão retomadas em Monlevade. De acordo com a Prefeitura, não há qualquer previsão neste sentido, ao menos para a rede municipal.

Manifestação

Em um ofício direcionado à Prefeitura, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de João Monlevade (Sintramon) defende o desenvolvimento de uma plataforma própria de ensino por parte da rede municipal. Segundo a entidade, essa é uma reivindicação dos professores, que alegam dificuldades para manter o contato com os alunos e repassar as matérias remotamente.

Na família

Os pais também se apoiam no desafio de acompanhar o desenvolvimento dos filhos no que diz respeito ao aprendizados e ainda, se desdobram para dar seguimento às outras atividades. Esse apoio também é feito de maneira remota, em grupos de WhatsApp, por exemplo.

Mariana Pereira tem 37 anos, é autônoma e mãe de Luiz Flávio, de 8 anos. O filho estuda em uma escola particular. O marido trabalha em outra cidade e ela afirma ter adaptado a rotina para dar conta das atividades escolares do filho. “Definitivamente não estamos preparados para isso. Tive que comprar um notebook a mais aqui para casa porque enquanto meu filho estuda, não posso parar de atender meus clientes. Além da mensalidade escolar, tivemos que fazer esse investimento. Pesou pra gente”, detalhou.

“Tem dias que são mais pesados. Estou tendo que relembrar conteúdos, porque meu filho ainda não tem autonomia de fazer tudo sozinho. Vamos nos ajudando e nos cobrando menos ao passar do tempo. Não estou mais priorizando o conteúdo ou nota. Quero que meu filho entenda o momento desafiador e não perca a rotina escolar”, completou a mãe.

Ainda segundo Mariana, essa redução na cobrança tanto do desempenho do filho quanto dela própria se deu também após conhecer a realidade de outras famílias. “O grupo de WhtasApp dos pais dos alunos, no início do ano era usado para debater assuntos da escola. Hoje virou uma espécie de grupo de ajuda psicológica. As mães desabafam, trocam experiências, lamentações, superações. É bom ver que não estamos sozinhos”, finaliza.

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