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“Sete Punhal”: Polícia Civil prende líder religioso por abusos sexuais durante rituais em Itabira

“Sete Punhal”: líder religioso é preso em Itabira por abusos sexuais durante rituais

“Sete Punhal”: líder religioso é preso em Itabira por abusos sexuais durante rituais. Foto: Divulgação/PCMG

Um caso envolvendo um suposto abuso sexual travestido de fé e espiritualidade veio à tona em Itabira, após meses de suspeitas e relatos que circulavam silenciosamente entre fiéis. O médium, de 47 anos, que se autodenominava incorporador da entidade “Sete Punhal”, foi preso nesta terça-feira (9) pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), no bairro São Pedro. A promessa de cura de enfermidades por meio de relações sexuais, somada ao medo de retaliações espirituais ou perseguições físicas, mantinha muitas mulheres sob controle.

A prisão preventiva foi decretada pela Justiça depois que ao menos 12 mulheres denunciaram terem sido vítimas de violação sexual mediante fraude e importunação sexual durante cultos religiosos. Os abusos eram justificados como “atos espirituais necessários” para alcançar benefícios como proteção, cura de doenças e resolução de problemas pessoais. Em nota, a PCMG detalhou que, entre as práticas relatadas, estavam pactos nos quais as vítimas eram induzidas a manter atos sexuais com o investigado, além de banhos ritualísticos em que ele as untava nuas com ovos e quiabo.

Em investigação

A prisão foi cumprida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Itabira. Além do mandado, a Justiça também autorizou busca e apreensão, que resultou na coleta de dois celulares do suspeito. O material deve ser analisado para reforçar as provas no inquérito.

A Polícia Civil informou que novas diligências serão realizadas nos próximos dias para identificar outras possíveis vítimas. Mulheres que reconheçam situações semelhantes ou familiares de possíveis vítimas podem procurar diretamente a Delegacia da Mulher em Itabira. Também é possível registrar denúncias anônimas pelo Disque 181.

O alerta das vítimas

No mês de agosto, a redação do portal DeFato Online recebeu o contato de uma das vítimas. Na ocasião, ela foi orientada pela reportagem a levar a denúncia diretamente à Deam, temendo represálias dada a manipulação psicológica que sofreu.

De acordo com os relatos, o líder religioso usava a figura espiritual de “Sete Punhal” para impor rituais de intimidade. “Ele dizia que os beijos na boca eram parte de um pacto espiritual. Se não obedecêssemos, ele falava que nossa saúde ou nossa vida estariam em risco”, contou uma das vítimas.

Religião como ferramenta de poder

Segundo os relatos, o suspeito conduzia práticas com elementos do Candomblé e da Quimbanda, incluindo cânticos, uso de bebidas alcoólicas e sacrifício de animais. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais detalhou que, entre as práticas relatadas, estavam pactos nos quais as vítimas eram induzidas a manter atos sexuais com o investigado, além de banhos ritualísticos em que ele as untava nuas com ovos e quiabo.

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